quarta-feira, 13 de junho de 2018

Oito Mulheres E Um Segredo

"Elas estão lá e brilham, mas o filme é mais do mesmo!"



É uma grande vitrine, muito mais do que de jóias e roupas, de mulheres cujas presenças tem força como um barulho de trovão. Assistir Sandra Bullock contracenando com Cate Blanchett é de uma beleza sem igual, mas o filme não se fascina em nenhum momento em ter essas mulheres, tampouco se fascina pela oportunidade que encontra de oferecer o protagonismo feminino. Na minha compreensão, um bom filme não é somente aquele que cumpre boa parte do que se propõe com competência; um bom filme é aquele que encontra uma originalidade, seja ela numa medida grande ou mesmo pequena. "Oito Mulheres E Um Segredo", enquanto filme de gênero (comédia, aventura) ou sub-gênero (filme de roubo), mantém as mesmas saídas de todos os outros filmes, com momentos engraçados e outros apreensivos. Porém, quando você espreme com força, talvez não tenha tanta coisa pra pingar assim. E, ser "engraçadinho", divertido e essas coisas, pelo menos pra mim, depois de milhões de filmes iguais, é difícil engolir e não basta. 

Por outro lado, "Oito Mulheres E Um Segredo" ecoa o "me too", ecoa o protagonismo de mulheres, ecoa visibilidade, ecoa outra imagem muito mais real. Coloca muitas mulheres juntas, muitas mulheres diferentes uma das outras, num tipo de filme que até então, em Hollywood, predominou a produção com homens e, ao fazer isso, cria uma outra paisagem, um outro clima e respira outro interesse. Embora a produção tenha ganhado vida muito antes de tantas acusações de assédio, ele também encontra um lugar atual, porém, tanto Sandra Bullock, quanto Anne Hathaway, deram declarações dizendo que o filme surgiu bem antes de tudo, com um novo olhar para a franquia, retomando-a com mulheres e dizendo também que há poder nesse filme conter tantas mulheres unidas, que isso é político, mas que também é um filme de gênero. Justamente, tentam encontrar um equilíbrio maduro entre o lugar político e o reconhecimento artístico, um esforço as vezes realmente árduo em tempo polarizados e em tempos que, em tantas plataformas, precisam ser resistentes. Pois, pra mim, é válido, mas o que não é válido, é o filme ser mais do mesmo e, depois de um tempo desaparecer da minha mente. (Obs.: "Missão Madrinha De Casamento" continua gritando dentro da minha memória)

" OITO MULHERES E UM SEGREDO " - Ocean's 8 - Dir. por Gary Ross - EUA - 2018 - Distribuidora no Brasil: Warner - Exibidor para o Mais Cinema: Caixa Belas Artes.

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domingo, 3 de junho de 2018

A Natureza Do Tempo

"O ontem e o hoje, na atual Argélia, de muitas histórias a serem contadas!"



Este é o primeiro longa do diretor argelino Karim Moussaoui que, em 2017, exibiu "A Natureza Do Tempo" na mostra "Um Certo Olhar" em Cannes e concorreu ao prêmio "Câmera de Ouro". Pretende, neste filme, "respirar" e mapear um tanto da atual Argélia, entrando e saindo pelas histórias de personagens, que encontram conexões uns com os outros e que, através de como a estrutura desse filme é feita, querem dizer que, nesta Argélia, há histórias a serem descobertas e contadas. Enriquece perceber neste filme a intersecção de personagens, que pertencem a gerações diferentes e que estão condicionados, em algum momento e em alguma medida, ao que seu país carrega: os efeitos de sua história. 

Um construtor presencia uma agressão entre os becos argelinos e não toma partido; uma jovem argelina parte para seu casamento, mas é com o motorista que criou um laço; um médico está sob desconfiança de que teria estuprado uma mulher no passado e vai ao encontro dela, quando ela reaparece com uma criança. São passagens que falam de ética, de dívida, de teor moral, de destino, de tradição e que falam, sobretudo, como esses personagens estão vivendo essas passagens tendo de tomar suas decisões ou tendo de viver sob decisões tomadas no passado. O diretor não toma julgamento sobre seus personagens, ele os observa e o filme cresce frente aos conflitos.

A Argélia sofreu demais com suas principais guerras, tanto com a guerra da independência na década de 50, quanto com a guerra civil na década de 90. Como são as reflexões nesse país cheio de histórico, cheio de conflito religioso, cheio de tradição e "cheio de homens"? É uma das propostas do filme, ao colocar seus personagens reagindo e seguindo. O diretor Moussaoui filma, em alguns momentos, realmente muito bem. Impacta o espectador com algumas sequências muito decisivas: a longa sequência do construtor conversando com a ex-esposa; a sequência do casal fora do hotel e, por fim, a sequência em que o doutor ouve a mulher que foi estuprada. São momentos em que o filme deseja ser sublime e, ainda que falte algum ingrediente para esse sabor, ainda assim elas conseguem demonstrar o tato do cineasta em intrigar o espectador. 

Há alguns detalhes e concessões interessantes, utilizados pelo roteiro, para flertar com a vivência da tradição e da atualidade. O uso da música, por exemplo, foi utilizado para surpreender a narrativa, ora com a inserção de uma apresentação de uma dança tradicional, ora com a inserção de uma banda marcial no deserto e ambos os momentos deixam uma boa impressão. Contudo, o filme do diretor Karim Moussaoui quer meditar com o espectador, meditar sobre a Argélia que tem histórias e, ao final, surge o que poderia ser sua quarta história. O filme ganha em exibir uma consciência em saber de sua densidade e não abusar do peso que, por si só, já tem.

"  A NATUREZA DO TEMPO " - En Attendant Les Hirondelles - Dir. por Karim Moussaoui - Argélia - 2017 - Distribuidora no Brasil: Imovision 

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quinta-feira, 31 de maio de 2018

Agnès Varda

Senhoras e senhores: os 90 anos de vida da Senhora Agnès Varda



Ainda estão entre nós pessoas que significam um patrimônio da humanidade e que, em sua história, carregam o peso de pertencerem a gerações muito anteriores as nossas e, dessa forma, de haverem atravessado por boa parte da história do mundo. É urgente que ainda saibamos respeitar e exaltar essas servidoras e servidores da humanidade. Um desses nomes que segue entre nós é a diretora de Cinema, a belga/francesa Agnès Varda, que na última quarta-feira (30), chegou aos 90 anos de vida e que, graças a todas as deusas e deuses do Cinema, vem ganhando todos os reconhecimentos por sua contribuição para com a humanidade, tanto através da sua movimentação artística no Cinema, quanto na vida em si. 

No último ano, o documentário " VISAGES VILLAGES ", arrebatou multidões desde Cannes/2017, ao registrar uma jornada da diretora francesa, movida pelo fotógrafo J.R., através de pequenas cidades, vilarejos e ao encontro de pessoas comuns, dessas por quem Agnès Varda depositou todo seu interesse durante a carreira. O resultado, além de emocionante, é uma das mais raras homenagens promovidas no Cinema, a uma de suas lendas e devolvendo a essa mesma figura o olhar com o qual transformou a história. É de fazer cair lágrimas o carinho com que J.R. trata Varda e a simplicidade com que Varda se relaciona com o mundo. Uma pena que o documentário não venceu o Oscar/2018, prêmio que poderia ter continuado o louvor em vida a uma das mulheres mais preciosas do Cinema, ainda que tenha recebido o Oscar honorário.

Agnès é a mãe da movimento Nouvelle Vague e ainda permanece poderosíssimo seu resultado em "Cléo Das 5 Às 7". Agnès foi casada com o também importante cineasta Jacques Demy e se tornou a guardiã mais incansável da obra do marido. O protagonismo feminino nos filmes de Agnès é uma pérola do Cinema, bem como o seu  "ser diretora", uma grande curiosidade em 1954. Esta mulher chega agora aos 90 anos de idade, com o ânimo da vida e em plena atividade. Ela que quebrou paradigmas, que foi mulher do Cinema, inspirando e encorajando tantas outras mulheres e que merece por todo o sempre nossa mais sincera homenagem.

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quarta-feira, 30 de maio de 2018

Elsa & Fred

Cinéfilas, cinéfilos, atenção: IMPERDÍVEL



Caixa Belas Artes apresenta Cineclube da Morte, com a exibição de “ ELSA & FRED ” em versão original, no próximo 05 de junho!
Evento mensal de grande sucesso, o próximo Cineclube da Morte já tem filme e data definidos! A sessão, seguida de debate com a Dra. Ana Claudia Arantes e o coach Tom Almeida, idealizadores do projeto, será em 05 de junho (terça-feira), às 19h30, com a exibição de “Elsa & Fred”, a versão original de 2005, do diretor argentino Marcos Carnevale, estrelada pela sensacional dupla China Zorrilla e Manuel Alexandre.
A comédia acompanha o intenso romance entre a espevitada Elsa e o pacato Fred, um improvável casal unido pelo acaso para ensinar ao espectador uma grande lição de vida, através de um brilhante roteiro que rendeu até uma refilmagem americana.
Fred, um viúvo de 78 anos, tem apenas a companhia de um cachorro, desde que sua esposa faleceu, há menos de um ano. Morando em um apartamento alugado pela sua sistemática filha, ele é hipocondríaco e bastante melancólico. Isolado em casa, Fred jamais poderia imaginar que o destino, literalmente, bateria à sua porta. É quando entra em cena Elsa, sua nova vizinha com idade próxima da dele, porém, uma mulher vaidosa e cheia de vida. O primeiro contato ocorre no momento em que ela o chama para lhe entregar um cheque endereçado à filha dele para cobrir os estragos causados em um acidente de carro. Péssima motorista e boa de lábia, ela conta uma história triste fazendo com que Fred não aceite o pagamento. Inicialmente, os dois se tornam amigos, mas a crescente cumplicidade os leva a um inevitável namoro cheio de loucas aventuras.
Fazendo valer o clichê de que os opostos se atraem, Elsa chega para injetar ânimo e vontade de viver no deprimido Fred e assim nos alertar para a importância do amor e do companheirismo na terceira idade. E se os mais velhos têm muito a nos ensinar, a experiente e destemida Elsa diz a Fred esta preciosa frase digna de reflexão: "Eu não acho que você tenha medo de morrer. Acho que você tem medo é de viver".
Imortalizados nesta obra-prima, a uruguaia China Zorrilla e o espanhol Manuel Alexandre, os magníficos atores protagonistas, já são falecidos. Ela partiu em 2014, aos 92 anos, e ele em 2010, também aos 92. 

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domingo, 27 de maio de 2018

O caso Morgan Freeman



O nome dela é Chloe Melas. É a repórter da CNN, quem começou a investigação e que alegou ter vivido uma situação desconfortável com Morgan Freeman. Grávida de 6 meses, foi entrevistar o ator por ocasião do lançamento de um filme e, ao entrar na sala, alega que ali se iniciaram comentários de cunho sexuais, olhares, até que, em determinado momento, em meio a comentários sobre a gravidez da profissional, Morgan solta "Eu queria ter estado lá". O episódio chamou a atenção da repórter, pasma com aquele comentário e sentiu-se desconfiada. Foi o estopim do início de uma investigação. A repórter começou a falar com várias pessoas. Conversou com Tyra Martin, que fez por aí de 9 entrevistas com o ator e que diz em que, em todas as vezes, havia um comportamento inapropriado, mencionando que, em uma das vezes, foi arrumar a saia e ouviu do ator "não abaixe a saia agora". A investigação chegou também a empresa do ator e parece se constatar que lá também havia o mesmo comportamento. O resultado é que, até o presente momento, a CNN conversou com 16 pessoas e ,dessas, pelo menos 8 mulheres admitiram situações desconfortáveis, toques desconfortáveis e comentários constrangedores. 

O ator vem se defendendo, dizendo estar devastado, dizendo que os oitenta anos de sua vida podem ser destruídos num piscar de olhos; disse também que qualquer acusação é falsa e que jamais assediou alguém ou criou ambiente inseguro, onde algo, como aumento ou emprego, se trocasse por sexo. 

Que se investigue, que se averigue, que se denuncie, que se fale sobre, seja sobre quem for e que qualquer tipo de assédio e a cultura do assédio chegue ao fim.

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domingo, 20 de maio de 2018

Assunto De Família

Distribuição garantida pela distribuidora Imovision 



O filme do grande cineasta japonês Hirokazu Kore-Eda, que arrebatou ontem a Palma de Ouro de Cannes/2018, trata de uma família pobre, do trambique, que acolhe uma menina e que põe essas crianças para roubarem no supermercado, mas iniciando um processo muito humano a partir da adoção. Uns chamaram de o novo "Oliver Twist" e outros chamaram a atenção para a dureza deste filme. Nos Cinemas brasileiros a partir do segundo semestre.

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sábado, 19 de maio de 2018

Palma De Ouro- Cannes/2018 - Assunto De Família



55 anos de vida, passando dos 30 anos de carreira e, agora, premiado com a Palma De Ouro em Cannes/2018. Um dos maiores cineastas japoneses de todos os tempos, dono de, pelo menos, duas obras-primas, uma em "Depois Da Vida" e a outra em "Andando", mas sustentando sempre um nível de surpresa em todos os seus filmes. Ora grande filósofo da vida, como em "Pais E Filhos", ora grande inventor de parábolas, como o devastador "Boneca Inflável", fato é que Hirokazu Kore-Eda, ao que tudo indica, chega em "Assunto De Família", no momento mais inexplicável de sua carreira.

DISTRIBUIÇÃO NO BRASIL DA EMPRESA IMOVISION
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