sexta-feira, 20 de julho de 2018

Bergman 100 Anos

"Documento e tratado, esse retrato violento forma o Ingmar Bergman mais próximo possível da humanidade!"

EXIBIDOR PARA O MAIS CINEMA: CINEMA CAIXA BELAS ARTES

Poucos são os retratos a respeito de alguém, como esse que se pode assistir agora nos Cinemas, onde essa raridade de cineasta, chamada Jane Magnusson, realiza um feito memorável: ela não só aproxima um gênio do público, como faz isso buscando um ponto de vista como se daquela forma agradasse até ao próprio personagem. E por que? Como ela consegue essa impressão? Porque, independente se tem paixão ou não por Bergman, se orienta a narrar o que propôs, por uma única via, a vida da honestidade. É aquela coisa: se alguém quiser me amar de verdade, já venha sabendo que tenho "qualidades", "defeitos" ou "qualidades" que você não vai achar tão "qualidades" assim e "defeitos" que você vai achar que são "defeitos", mais do que eu. Frequentemente, ícones e referências nos são transmitidos de forma a amá-los em seus legados e/ou contribuições. Não sabemos ao certo ou no todo como eles também chegaram em suas compreensões e há distâncias entre conhecimentos acadêmicos e pessoais. Nesse sentido, Jane Magnusson dá um salto, em compreender uma parte de Bergman e chegar numa compreensão extra-abrangente. Nos transmite isso da forma mais independente e da forma mais apaixonante possível. E faz isso mostrando o que a gente espera e também o que a gente não espera.

Provavelmente Ingmar Bergman seja mesmo o maior cineasta de todos os tempos ou 1 dos 3 maiores. É, por si só, um patrimônio da humanidade, desses que nascem 1 em 1 milhão. Descobrir tal criatura é de uma riqueza absurda. A diretora Jane Magnusson já havia trabalhado nas realizações "Bergmans Video" e "Trespassing Bergman", porém, parece ter encontrado a matéria-prima perfeita para rasgar o homem por trás das câmeras. Em algum momento ela se deparou com o fato de que o ano de 1957 foi um divisor de águas para Ingmar Bergman, foi o ano em que lançou 2 obras-primas, "O Sétimo Selo" e "Morangos Silvestres"; fez o filme "No Limiar Da Vida" para a televisão e dirigiu 4 grandes peças teatrais, uma delas "Peer Gynt", adaptação de Ibsen, que muitos tinham como inadaptável e que Bergman transformou num espetáculo inacreditável com duração de 5 horas. Tinha também 4 mulheres, dores estomacais e suas úlceras o dilaceravam. E, em meio a tudo isso, onde Bergman, de fato, está? Justamente porque, num ano de ímpeto de criativo e de ímpeto particular decisivo, esse homem precisa estar em algum lugar. E o que Jane Magnusson nos mostra é que esse homem entra em sucessivas contradições, mesmo quando ele mesmo conta ou escreve suas biografias. Dessa forma, ela nos propõe que os únicos momentos em que esse homem foi honesto com seus próprios sentimentos, foi em seus filmes. Logo, se quer descobrir Bergman, frequente seus filmes.

Enquanto desvenda o ano de 1957 para Ingmar Bergman, Jane Magnusson desvenda também como, a partir desse ano, o cineasta vai se abandonando em todos os seus filmes e/ou realizações de forma expressiva. Montado a partir de depoimentos de Bergman e depoimentos ainda mais assombrosos de seus colaboradores e de seus discípulos, contando com alunos e outros grandes cineastas, o documentário cresce. O resultado, o grande trunfo de "Bergman 100 Anos", é não se esquivar das polêmicas, do lado mais cabuloso e do relevo mais animal, que também constituiu o homem Bergman. Ao fazer isso, ao gravitar por todas as faces que formaram Bergman, a cineasta opera o triunfo de mostrar que, nossos ícones e "heróis", talvez tenham muito pouco daquela leitura "sacra" que insiste em ser produzida e é isso que, em "Bergman 100 Anos", estabelece uma presença fascinante do cineasta. Ele é muito mais "aquele sujeito" (sabe aquele sujeito?!), ao contrário da imagem cristalina que por vezes a gente tem e por isso também nos desperta.  Até o presente momento, pra mim, esse documentário extraordinário dirigido por essa raridade de cineasta chamada Jane Magnusson, ocupa o posto da "Menção Honrosa" no meu "Top 10" do Cinema em 2018. 

" BERGMAN 100 ANOS " - Bergman: A Year In A Life - Dir. por Jane Magnusson - Suécia/Noruega - Distribuidora no Brasil: Imovision Distribuidora De Filmes - Exibidor para o Mais Cinema: Cinema Caixa Belas Artes

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quinta-feira, 19 de julho de 2018

No Cinema: Meus homens desse dia 19 de Julho

Nesse dia 19: 1 ator excepcional e 5 cineastas excepcionais 



O britânico Benedict Cumberbatch, indicado ao Oscar por seu trabalho avassalador em "O Jogo Da Imitação", chega aos seus 42 anos de vida;  

O cineasta egípcio Atom Egoyan, do obrigatório "O Doce Amanhã", chega aos 58 anos de vida;  

o cineasta japonês Kiyochi Kurosawa, de obras-primas como "Sonata de Tóquio" e "Cure", chega aos 63 anos;  
outro japonês, o cineasta Hideo Nakata, a incrível mente visionária de "O Chamado" e "Água Negra", chega aos 57 anos;  

Abel Ferrara, cineasta extraordinário, de filmes como "Vício Frenético", "Maria" e, mais recentemente, "Pasolini", chegando aos 67 anos;  

e o premiadíssimo, o cineasta argentino Juan José Campanella, dos indispensáveis "O Filho Da Noiva" e do vencedor do Oscar "O Segredo Dos Seus Olhos", completando 59 anos de vida.  

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terça-feira, 17 de julho de 2018

Wong Kar-Wai

60 anos de vida hoje de um dos donos do meu coração

OS 3 FILMES DESSE GÊNIO QUE MARCAM MINHA VIDA COMPLETAMENTE

Dos maiores diretores de todos os tempos, o chinês Wong Kar-Wai, para quem o amor é como uma ilusão de ótica, vem há pelo menos 30 anos apertando corações com seus filmes belíssimos ou em todas as suas extensões. Ninguém filma o amor, nem os encontros e os desencontros de gente que ama, como Wong Kar-Wai. Até o presente momento, todos os seus 10 filmes me arrebatam completamente, mas continua sendo em "Amor Á Flor Da Pele", ainda sua obra-prima máxima, um dos melhores filmes de todos os tempos, onde ainda reside uma expressão acima de qualquer compreensão a respeito do amor. Wong Kar-Wai disse que os chineses não dizem "eu te amo", é um povo que prefere outras linguagens e comportamentos. Esta é uma semente que germina em seus filmes com sugestões, tensões e climas, alcançando um resultado indescritível. De fato, assistir um Wong Kar-Wai, é uma experiência de amor.

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domingo, 15 de julho de 2018

Hannah

"Hipnótico e absurdamente enigmático. Resumindo: está para Michael Haneke!"

Exibidor para o Mais Cinema
Cinema Caixa Belas Aryes

Me contorci em 2016, incomodado com a declaração desta atriz extraordinária, Charlotte Rampling, quando disse que as críticas a ausência de negras e negros indicados ao Oscar naquele ano era uma espécie de "racismo contra brancos". Lamentável ter de ouvir tais declarações, em pleno 2018, ainda mais de uma artista tao extraordinária. A vida seguiu. E volto a me contorcer com Charlotte Rampling, mas agora é por conta de mais uma demonstração de sua complexa construção artística, que opera em "Hannah" um resultado fulminante, vencendo completamente o espectador. Sempre digo que me fascino quando vejo uma atriz peso/pesado em papéis de gente que está, infelizmente, numa dimensão "abaixo". É o caso aqui de Charlotte Rampling.

Compreendo também o talento do cineasta italiano Andrea Pallaoro, que faz da narrativa de "Hannah" uma trajetória, como se resumisse uma vida e suas duras perspectivas, em uma hora e meia. A isto soma-se composições de enquadramentos belíssimos, que não se vê sempre no Cinema; como numa cena inicial, por exemplo, em que divide a tela por uma frigideira com ovos à direita e um cachorro desfocado à esquerda. Mas o que se segue são dezenas de composições com valor de tal arrojo. No entanto, o que me ganha de verdade em "Hannah", é tal capacidade de Charlotte Rampling em ocupar toda a dimensão de sua personagem, num entendimento abismal do texto e não extrapolar nessa mesma compreensão. Se houverem dúvidas, perceba-se como Charlotte Rampling sustenta um semblante amargurado durante todo o filme, uma expressão sútil e dramática

O termo "miserabilismo" é frequentemente utilizado na compreensão do Cinema austríaco de Michael Haneke, que mesmo achando a sociedade austríaca "emocionalmente gelada", rejeita interpretações de que esteja o tempo todo zangado com ela. Pois é, este Cinema feito por Andrea Pallaoro ecoa no miserabilismo do Cinema de Haneke. "Hannah" é um filme belíssimo sobre a vida "pancada" de uma mulher, mãe, esposa e empregada. Uma vida num nível abaixo, sem muita conexão vívida ao redor e por vezes mecânica. Não sei até que ponto serve como "crítica", mas sem pensar nisso, o resultado do Cinema de Pallaoro é tátil na esfera artística e isso é expressivo. Por fim, ainda bem que Charlotte Rampling ganhou o prêmio de melhor atriz no "Festival de Veneza/2017", ainda bem! 

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sábado, 14 de julho de 2018

Bergman 100 Anos



Minha gente, por favor, preciso falar:
Dói demais. Ontem chorei muito 😢, chorei como criança e permaneci desolado durante todo o dia, sentindo uma dor profunda. A imprensa assistiu, em São Paulo, ao documentário " BERGMAN 100 ANOS " e foram tantas emoções que explodiram dentro de mim e muitas delas que me surpreenderam de forma fatal. Mesmo amando o diretor Ingmar Bergman há tantos anos, mesmo assistindo seus filmes há tantos anos, pude sentir ontem que nível de relação desenvolvi com ele e sentir como essa relação faz parte de mim e ajuda a definir minha existência. Tal é o poder presencial desse documentário extraordinário, feito sob inteligência descomunal da cineasta Jane Magnusson, que ao primeiro surgimento do rosto de Bergman, meus olhos marejaram. Essa reação vem automaticamente por conta do meu amor por Bergman, porém também é resultado da captação impressionante da diretora. Mas o que aconteceu ontem comigo foi além, foi ver Bergman e, gradativamente, ficar com o coração apertado até doer de saudade. E continua doendo. Me admirei completamente em descobrir que tudo que eu queria era dar um abraço em Bergman. Como jornalista, é lógico que uma entrevista seria uma alegria, mas um abraço, dar um abraço em quem eu amo e nunca pude estar com ele, seria um encerramento. Por isso dói em mim. Eu o via na tela e me confirmava: eu te amo, realmente eu te amo, que saudade de você. Me questiono como posso sentir amor (amor por definição) por uma pessoa que só conheci através dos filmes que fez, os únicos filmes que, de fato, me reviraram e me rasgaram, que me traduziram. Eu não o conheci, não estive com ele (como estou com meu pai em casa, por exemplo), mas o amei completamente, um dia eu o descobri e eu senti que ele se revelou a mim. De modo que ontem, assistindo ao documentário, era como se eu estivesse tendo um pouquinho do que nunca tive: sua presença um pouquinho mais próxima. Também percebi que o que dói em mim é se sentir um pouquinho órfão, por ele ter partido. É literalmente esse o nível de amor que eu sinto por Ingmar Bergman, talvez o maior cineasta da história do Cinema (e, pra mim, é) e o grande amor da minha vida. Que eu me renove sempre em sua presença ❤️

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terça-feira, 10 de julho de 2018

Golshifteh Farahani e Chiwetel Ejiofor



~ Golshifteh Farahani ~ Minha iraniana do coração, chega aos 35 anos de vida, com praticamente 20 anos carreira e ganhando o Cinema internacional. Recentemente foi vista no Festival Varilux do Cinema francês em "A Noite Devorou O Mundo", que está quase estreando nos cinemas e também será vista em "Les Filles Du Soleil", recém saído de Cannes/2018, da cineasta Eva Husson. Já trabalhou em "Pater" com Jim Jarmush e em "Dois Amigos" com Louis Garrel, mas permanece sua atuação no extraordinário "Procurando Elly", de Asghar Farhadi, sua maior obra-prima em interpretação, o que ela faz ali é um verdadeiro assombro!

~ Chiwetel Ejiofor ~ Esse londrino maravilhoso chega aos 41 anos de vida, com mais de 20 anos de carreira e com a honra de, nos inícios, estar presente em "Amistad" com Steven Spielberg. De lá pra cá, trabalhou com Stephen Frears no estarrecedor "Coisas Belas E Sujas", com Woddy Allen no delicioso "Melinda E Melinda" e com Alfonso Cuarón no extraordinário "Filhos Da Esperança". No entanto, fez história ao ser indicado ao Oscar/2014 como melhor ator, por sua atuação emblemática (e chocante) em "12 Anos De Escravidão"

Também hoje: Sofia Vergara chega aos 46 anos de vida e Cary Fukunaga aos 41 anos de vida.

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segunda-feira, 9 de julho de 2018

Tom Hanks

Senhoras e Senhores: os 62 anos de Tom Hanks ❤ 



Foi anunciado que ele produzirá e estrelará o remake de "Um Homem Chamado Ove", filme sueco extraordinário, indicadíssimo ao Oscar/2017. Além disso está em gravações de "Greyhound", drama de guerra naval, que escreveu. Bem, o nome dele é Thomas Jeffrey Hanks, é um dos atores mais extraordinários de sua geração, é também um tremendo produtor e tem atuações memoráveis, sob a direção de diretores ainda mais memoráveis e, não dá para não mencionar que, pelo menos duas atuações mais comoventes da história do cinema pós anos 90, são dele e lhe valeram o Oscar como melhor ator: em "Filadélfia", como Andrew Beckett e em "Forrest Gump - O Contador De Histórias" como Forrest Gump ❤  

São quase 40 anos de carreira. Só entre Oscar e Globo de Ouro, são quase 15 indicações, mas, como está na imagem, os números vão além. (Outro ator, o extraordinário, Chris Cooper também chega hoje aos 67 anos de vida)

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