quinta-feira, 12 de outubro de 2017

O Fantasma Da Sicília

"O Pesadelo que tenta ser fábula!"

CARTAZ GENTILMENTE CEDIDO PELA PANDORA FILMES
FOTOGRAFIA FEITA NO CAIXA BELAS ARTES
Em 2013 eles estiveram entre as melhores surpresas daquele ano. Os cineastas Fabio Grassadonia e Antonio Piazza venceram, naquele ano, o prêmio da semana crítica com o ótimo "Salvo" e traziam originalidade. Com inventividade narrativa, interrompiam as perspectivas, utilizavam tons de outros gêneros, o noir o principal deles e construíam uma arenosa trama de amor e máfia. Agora, 4 anos depois, eles abriram a semana da crítica em Cannes, com todas as honras, contando outra história de máfia, ainda mais dolorosa, pelos olhos de adolescentes. A trama, em si, é preciso dizer, parte de um velho clichê, o do "amores impossíveis", mas felizmente há mais para se observar. Ainda assim, se o espectador não estiver disposto a perceber como esses cineastas tornam sua narrativa cheia de elementos e a transformam num conto, talvez o filme se torna menos interessante do que ele é.

Na sicília, Luna está apaixonada por Giuseppe. Ela lhe entrega uma carta deflagrando seu amor. Ele é sequestrado pela máfia, pois o pai é um delator. O sequestro, um caso verídico que durou mais de 700 dias, gera uma separação dolorida entre os dois, mais dolorida do que os impasses de suas famílias. Luna acredita em seus sentidos e confia que pode encontrá-lo. Pois bem, esta trama é narrada de vários jeitos, ao mesmo tempo em que é um romance, é também um pesadelo. No entanto, e aqui mora um dos talentos desses cineastas, a narrativa vai desconstruindo seus gêneros; esse é o romance mais espinhoso que você poderia assistir e esse é o pesadelo mais rico para se aceitar. 

Não só isso: outra das inventividades da narrativa deste filme é ser contato como uma fábula, como as fábulas dos contos de fada, onde elementos e surrealismos estão postos. Bosque, lago, natureza, animais, a percepção de um mundo paralelo, até uma espécie de figura da madrasta (a mãe de Luna), são muitos os tons que o filme vai trazendo. E mais uma vez a desconstrução. As violências visuais que irrompem do sequestro e o pensamento de que, o que se está assistindo, é por si só, também uma tortura, são capazes de arrasar o espectador e há sequências desesperadoras, como a do mergulho de Luna, bela e desesperadora.

Acredito que o resultado desse filme é excelente, pois gosto dessa maneira de surpreender as expectativas do público, que esses cineastas corajosamente levam a frente. Gosto dessa fábula, desse amor juvenil castrado pelas consequências de se viver entre o habitat da máfia, gosto também dessa forma de fazer cinema sob narrativa de vários tons e gosto das paisagens, tanto as naturais, quanto as criadas pelos cineastas. O que eu não gosto é quando me dá a sensação de que não está sobrando espaço para o espectador interferir nas sensações da trama, quando tudo parece pesar demais e intencionalmente. Porém, creio que o resultado não se compromete, é um filme denso, pesado e se revela uma fábula, aliás, mais pesadelo, que fábula.

"O Fantasma Da Sicília" - Sicilian Ghost Story - Dir. por Fabio Grassadonia e Antonio Piazza - Itália - 2017 - Distribuidora no Brasil: Pandora Filmes

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Perfil Oficial: facebook.com\dsmaiscinema - Daniel Serafim


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