terça-feira, 24 de outubro de 2017

Primeiras Impressões: Félicité

"Arrebatador! Um dos filmes mais imperdíveis da Mostra Internacional\2017"

Fotografia feita no Caixa Belas Artes para montagem
As vidas filmadas aqui em Kinshasa, capital da república do Congo, são as mais duras e as mais "mundo cão", que você poderia conhecer. Esse filme atravessa por você como uma lança. O resultado arrebatador desse filme, grande prêmio do júri no festival de Berlim\2017, se deve pela direção visionária do cineasta franco-senegalês Alain Gomis que, compõe um filme de múltiplas notas, com grandes acentuações solenes, humanistas, trágicas, poéticas e que interfere na narrativa com o uso sublime da importante orquestra sinfônica "Kimbanguist". Fundada em 94, esta orquestra do Congo, com sede em Kinshasa, ficou conhecida por ser a única, por bastante tempo, residindo na África Central e detentora da única orquestra com todos os componentes negros.

"Félicité" é uma mulher, uma dessas mulheres inesquecíveis, forjada na tela, fruto de uma atuação visceral da extraordinária Véro Tshanda Beya Mputu; grande cantora, de uma voz impressionante, que se vê desesperada para conseguir dinheiro a impedir a amputação da perna filho. No entanto, a jornada de Félicité é uma queda constante e, embora seja corajosa, não se protege de uma desintegração diante do espectador, a ponto de suas forças se esvaírem, semelhante a Sansão (o personagem bíblico) quando perde os cabelos. Félicité representa as vidas pelas ruas, becos e bares do Congo, representa as mulheres, representa a castração de suas vidas pela pobreza e pela miserabilidade. 

Há neste filme uma beleza plástica realista que ultrapassa a tela e atinge o espectador; os fragmentos das partituras que são entoadas durante este filme realizam um feito somente vistos com essa potência na obra-prima de Fatih Akin "Contra A Parede", que é quando a solenidade da composição eleva o que se assiste a categoria de tragédia e exerce sobre o espectador uma força descomunal. Prestem atenção no momento em que a orquestra executa a composição "My Heart's In The Highlands" (um dos momentos mais arrepiantes de "Félicité"),  do estoniano Arvo Pärt, que também foi tema do filme "A Grande Beleza", de Paolo Sorrentino. Há neste filme a sensação de nocaute, há neste filme o força da identidade e há neste filme a beleza dos olhares, da pele, da canção e da existencialidade, que parece se retirar de cena e dar lugar ao ciclo de vidas que neste exato momento são encurraladas, tanto quanto a vida de Félicité.

Fotografia feita no Caixa Belas Artes para montagem

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