sexta-feira, 27 de outubro de 2017

Primeiras Impressões: The Square

"O filme mais aguardado da Mostra e possivelmente o seu melhor filme. É nocaute!"


FOTOGRAFIA FEITA NO CAIXA
BELAS ARTES PARA ESTA
MONTAGEM

O cinema anda gritando: a burguesia está  as ruínas, a sociedade está falida e nada do que vemos nos basta e, ao que tudo parece, nem a arte já não basta mais. As leituras do humor mais corrosivo e debochado, que estruturam o cinema pós-moderno dos dias de hoje, estão com os dias contados. O cineasta Ruben Östland, provavelmente o filho predileto da nova onda do cinema sueco pós anos 2000, tem sido certeiro em trabalhar outras formas, tanto de filmar o humor, quanto de atacar as estruturas e convenções aparentes da sociedade, partindo da imagem do homem europeu (isso, por si só, já é um nocaute). O que você verá em "The Square" é "caça" e "caçador"; você verá olhos implacáveis que estão a espreita de suplantar bens primitivos necessários ao desenvolvimento da perspectiva; você verá uma medonha tentativa de redução artística, patrocinada pela comunicação imediatista e por um pensamento obsoleto que acredita mais no fim de uma definição artística e menos na liberdade criativa e provocadora; você verá, aliás, neste filme, uma liberdade que lhe causa estranheza, verá macaco dentro de casa e verá gente interpretando gorila, diga-se de passagem, gente mais gorila que o próprio gorila; verá uma camisinha cheia ser  o cabo de um "cabo de guerra" entre uma mulher e um homem; você verá o roubo de um celular (e o celular se repete magistralmente em Ruben após "Força Maior") gerar uma situação cômica engraçadíssima que ocasionará uma ruptura em qualquer sob-limite e em qualquer justiça com as próprias mãos que a mente humana pode pressupor. É você dará muita risada, muita risada mesmo!

Há muito o que se falar, esta é uma sátira da vida, é um suspense inebriante, mas sobretudo é a comédia, não da vida privada, mas da vida exposta (que tenta se privar hipocritamente). Nunca a arte foi tão confrontada quanto é dentro do museu X-Royal em Stocolmo. "The Square" é um quadrado onde os instintos, na teoria, são levados a duplicar-se; a proposta "The Square" é provocadora, é limitada, ela pressiona o "homem" ou a criatura humana e é tentada a dúvida. No entanto, é a imagem de um curador de museu, um homem uropeu, sempre bem vestido, sempre profissional, sempre "na estica", que é levado a destoar da paisagem. Ele acredita e defende "The Square", assim como defende a arte e seu espírito livre, porém, é deliciosamente interessante testemunhar as ações do mundo sobre este homem, ações adversas, que são recebidas com surpresa e reações surpreendentes, que encantam o público. Parece ser uma leveza destruidora, aquela que andamos buscando.  O homem europeu e sua imagem parecem estar enferrujados, eles mesmos parecem necessitar de outro sentido. Em "The Square" absolutamente nada, assim como em "Força Maior", tem a ver com a sua expectativa, aliás, não espere que esse filme tenha o relevo do outro, porque não tem. "The Square" é afiado, é um assombro, mas não deixa o espírito carismático por nada, porém, ele é sútil, uma sutileza que toca como o calor de uma brasa quente, enquanto em "Força Maior" a imagem de uma avalanche tornava-se uma surpresa tão grande que, a partir dela, inflamava-se toda a narrativa. Nesse sentido, há de se exclamar: pelas deusas e deuses do cinema, como Ruben Östland é bom em criar pequenas sequências, com a força de um trovão! Repare o início memorável deste filme, onde Elisabeth Moss é confrontada pelo extraordinário Claes Bang a respeito do que é arte e fica sem palavras (essa, por si só, já é a grande avalanche deste filme). Sem dúvidas, outro dos filmes da década em 2017. 


FOTOGRAFIA FEITA NO CAIXA
BELAS ARTES PARA
ESTA MONTAGEM

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