sábado, 18 de novembro de 2017

Paraíso


"Em 2016, no cinema, fomos Daniel Blake, fomos Michèle Leblanc ("Elle"), fomos Clara ("Aquarius"), mas também poderíamos ter sido Olga Kamenskaya ("Paraíso")."


[ Quem lançou em DVD no Brasil e enviou ao Mais Cinema para ser divulgado e comentado? A "A2 Filmes"
Onde a foto foi tirada? Na "Livraria Toque De Letras" em Itatiba ]

Eis o filme do grande cineasta\mestre russo Andrei Konchalovsky, que a Rússia, cheia de coerência, indicou ao Oscar e que, de fato, esteve entre os 9 finalistas a melhor filme estrangeiro em 2017. Se fizéssemos um jogo de palavras e se perguntássemos a qualquer pessoa quais palavras viriam a sua mente sobre nazismo, certamente jamais ouviríamos a palavra "paraíso". Por isso, se soubéssemos tão somente que este filme é sobre nazismo, já se instalaria uma curiosidade, afinal, o que existiria de celestial naquele inferno?! O título ambíguo deste filme assume duas personalidades, uma poética e outra que emerge da mentalidade nazista, que acreditava na instauração de um "paraíso", através de si.

No entanto, a beleza do título se revela nos 3 personagens que geram a alma de sua estrutura narrativa . São 3 confissões, 3 testemunhos, 3 relatos, 3 exposições, que por vezes se revelam também como uma busca desses mesmos personagens ao tentar entender suas atuações em meio ao horror. Compartilham seus tormentos e observações uma aristocrata russa, Olga, presa por esconder 2 crianças judias em Paris; um colaborador nazista, Jules, um símbolo perdido de tal serviço e um emblemático oficial da SS, Helmut, cujo cargo, deflagrar a corrupção entre os líderes nazistas, se confunde entre sua honestidade, gasta ao crer na "ideologia" do movimento, e o confronto com quem pratica a corrupção.

Os 3 personagens, ali desolados e sozinhos diante da câmera, trazem suas perplexidades ao espectador. São registrados com câmera estática, sendo documentados numa tela quadrada, num uso do formato 4:3, aliado ao preto e branco da fotografia de Alexander Simonov; aliás, um uso complexo da cor, pois se o filme fosse colorido, jamais sentiríamos as mesmas emoções e faria muito menos sentido. Neste sentido, a intuição de Andrei Konchalovsky aqui, foi memorável. Todo este tratamento e todo dispositivo da narrativa, que se estende por todo o filme, causa a sensação de que as histórias que vemos, os espectros desses relatos, são mesmo de outro tempo; certos momentos parecem retratos, como nos induz a forma como capta a câmera e como enquadra os personagens, porém, o maior trunfo da direção de Andrei Konchalovsky é, trazendo também ao filme um resultado metafísico, evitar a apreensão na tortura dos campos de concentração, mas invocar uma "violência espiritual", o que, acredite, é igualmente doloroso e torturante, senão mais.

Mas, em Olga, para onde convergem os outros personagens, reina a "mise en scène" e a contribuição da roteirista Elena Kiseleva. Nela também se consolida a presença das mulheres, consideradas as heroínas da resistência ao nazismo e não há como não se render a atuação da extraordinária de Julia Vysotskaya. Uma contribuição que soma a este filme a definição de extraordinário.

" PARAÍSO " - Рай - Dir. por Andrei Konchalovsky - Rússia - 2016 - Distribuidora no Brasil para Cinema: Mares Filmes - Distribuidora no Brasil para mídia: A2 Filmes

Instagram Oficial: @daniel_serafim_mais_cinema
Perfil Oficial: facebook.com\dsmaiscinema - Daniel Serafim 

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