quinta-feira, 2 de novembro de 2017

Primeiras Impressões: Custódia

FOTOGRAFIA FEITA NO CAIXA BELAS ARTES
PARA ESTA MONTAGEM


Acreditem: um dos filmes mais obrigatórios do ano!
Poderoso, assombroso, assustador, delirante, extraordinário e completamente devastador! As sensações que ouvi após a exibição desse filme variam entre "sentir como se tivesse sido atropelado" e "sentir-se grudado na poltrona, imobilizado, sem conseguir movimentar o corpo, de tanta tensão". 

De fato, esse filme é realizado com um rigor, dirigido com difícil austeridade e uma capacidade inquietante de surpreender o espectador, como não se vê sempre.  É um filme que começa após uma separação, com uma abertura de tirar o fôlego, onde o casal está numa audiência pleiteando a guarda filial. Nesta sequência, apenas a primeira de tantas de fazer cair o queixo, os argumentos expostos são afiados e o embate entre esses argumentos é deslumbrante. E o filme cresce de maneira cavalar, se torna um filme sobre a figura do opressor e do oprimido, sobre consequências a partir dessas figuras e é aí que faz um sentido monstruoso. Mas não só isso, a maneira como a opressão se espalha por todos os lados atinge em cheio o espectador. 

O filho pequeno, o fio condutor magistral da tensão nervosa deste filme (o pequeno Thomas Gioria, numa atuação desestabilizadora), vítima de uma verdadeira tortura, toma decisões, visando proteger a mãe e afastar o pai, que ocasionam uma avalanche desenfreada de medo e pavor. A mãe (a extraordinária Léa Drucker), visando se proteger e proteger os filhos, recorre a meios como a mentira. A filha mais velha (Mathilde Auneveux, em atuação belíssima) vê seu mundo e sua juventude desmoronar, frente a situação dos pais, mesmo representando uma outra geração e fazendo um sentido espetacular. E, por fim, o pai (o extraordinário Denis Ménochet) atualiza as sensações de ódio e revolta, a serem sentidas a partir de um personagem extremamente bem construído.

Ao final deste filme, com um resultado inesquecível, o que vai ficar mesmo na sua mente é uma cena de banheira, como você nunca viu e que é capaz de ser tão desesperadora, tanto quanto tudo que você já viu de desesperador na sua vida. É desesperador e, ao mesmo tempo, é um filme belíssimo em toda sua compreensão. Vale dizer que esse filme é também mais uma exímia realização pensando sobre a instituição familiar na Europa, sobre o seu preço e sobre sua política representativa.

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41ª Mostra Internacional de Cinema
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