domingo, 24 de dezembro de 2017

Minha crônica da vida: feliz Natal

Desde que tomei consciência da vida e da existência, minha "mensagem" de Natal tem se repetido e, ao que tudo indica, enquanto eu existir, me agrada que ela se repita. O bem mais precioso que temos, onde mora toda a dignidade humana, é a nossa história e não podemos mascará-la, ignorá-la, romantizá-la ou mesmo viver como se ela não tivesse existido e tais atitudes são também atitudes da mais bela aceitação. Eu, Daniel, como órfão de pai e mãe (e depois de família também), em datas como as de hoje, que geram noites como as de hoje, elevo meu pensamento a todas as pessoas que nasceram órfãs, que se tornaram órfãs ou que decidiram depois que o melhor para si era viver como órfãs. Entrego a união de minha existência a todas as vidas que, de uma forma ou de outra, foram abandonadas. Me uno a todas essas vidas que, consciente ou inconscientemente, vivem com este "fardo" e já explico porque não deixa de ser um "fardo". Minha mensagem é menos religiosa, porque não tenho vínculo religioso (mas respeito a religião e por isso meu "N" de Natal é maiúsculo) e tão somente empática, com a humildade e a misericórdia, que deveriam existir dentro dos seres humanos, sem necessidade de religião e antes de qualquer religião. 

Mas Daniel, por que é um "fardo"? A sociedade não gosta de falar em "abandono", não gosta de falar dos lugares onde falhou e, por isso, olha para situações assim, como as de órfãos, sempre com romantismo, tapeando e dizendo "mas veja, foi criada (o) com muito amor" e blá, blá, blá.... É verdade, eu mesmo, mesmo com tremendas dificuldades, fui criado com muito amor e devo a quem me criou o mesmo amor com que permaneceram comigo (porque precisamos lembrar que foi uma escolha). Da mesma forma, encaro minha história com a maturidade dos mais de 30 anos e com a segurança de olhar para minha história com uma lente e um filtro de cura. 

No entanto, não pensemos nós que isso isenta a pressão que a sociedade exerce sobre nossas vidas. Datas fictícias, como as de hoje, foram criadas para exaltar a família "tradicional", são datas onde se ouve "nossa família isso", "nossa família aquilo", dias em que as fotos mostram o máximo de quantidade de gente que uma família conseguiu reunir como uma ideal de felicidade e isso, querendo ou não, é um dos "fardos". É claro, não há nenhum problema e não há nenhuma "maldade" em que as famílias se reúnam, inclusive há famílias que se formaram, entre amigas e amigos, que foram se acolhendo e isso é lindo demais (é também onde me encontro). Porém, no que cabe a mim, com essas mesmas convicções, estou me lembrando hoje e elevando meu espírito a todas e todos que não tiveram a mesma "sorte". 

Meu desejo seria que, em todas as ceias, em todas as mesas, em todas as farturas que se observam em noites com as de hoje, que se pense em quem não nasceu, em quem foi privado ou em quem não se enquadrou na mesma "sorte" que o público das ceias da noite de hoje se encontram. Sei que muita gente não pensa assim, não gosta de pensar assim e respeito profundamente, mas alguém precisa fazer uma declaração como essa e, no caso, já há alguns anos, esse alguém tem sido eu. Feliz Natal a todos!

Instagram Oficial: @daniel_serafim_mais_cinema
Perfil Oficial: facebook.com/dsmaiscinema - Daniel Serafim


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