quinta-feira, 28 de dezembro de 2017

O Rei do Show

"Bons caminhos, um bom tom e uma sensação de "indústria" que me incomoda. Num todo, me simpatizo com o resultado!" (🌟 🌟 🌟)

FOTOGRAFIA FEITA NO MULTIPLEX ITATIBA MALL PARA ESTA DIVULGAÇÃO
CARTAZ GENTILMENTE CEDIDO

🌟 Se você abrir bem os olhos, e prestar bastante atenção, vai perceber como este filme de estreia do diretor Michael Gracey vai ficando, em suas equações, entre uma coisa e outra, sem essa originalidade toda que, em algum momento, vendeu. É certo que funciona na maioria das suas propostas, é certo que com o talento incansável de Hugh Jackman é impossível que a plateia não se envolva e é certo também que com a qualidade musical obtida aqui (canções compostas por Justin Paul e Benj Pasek, que acabaram de ganhar o Oscar por "La La Land"; coreografias precisas do australiano Ashley Wallen; e um texto escrito por Jenny Bicks [de "Sex and The City] ao lado do diretor Bill Condon, veterano que escreveu o filme "Chicago" e dirigiu "Dreamgirls") funcione, no entanto, pra mim, a atmosfera de vitrine pairava, em muitos momentos, como um veneno. E, creio eu  que, com a velha convicção que a vida oferece, de tanta coisa que se repete no cinema (e na vida); que funcionar não basta, então, em algum momento não vai bastar e muitos envenenamentos tem essa função, a de nos confundir a identificar quando "não basta".

🌟 Esta é uma história sobre o homem chamado P. T. Barnum, da reta final de 1800, que foi um pioneiro do espetáculo de variedades, interessado em gente fora de qualquer padrão e à margem da sociedade, transformando-os em atrações genuínas, o que se tornaria sua fundação chamada "Ringling Bros. and Barnum & Bailey Circus". O filme do cineasta Michael Gracey pincela a infância de Barnum, encontra aí a saída para uma música belíssima chamada "A Million Dreams", que faz a transição para a vida adulta, com Jackman ao lado de Michelle Williams e depois segue para a "iluminação" de Barnum em compor um espetáculo com as pessoas "excêntricas" que ele encontra. Também, lá pelas tantas, surgem conflitos pessoais de Barnum a respeito de seu casamento e surgem conflitos referentes ao circo. Ou seja, é um texto com um esqueleto típico americano. Quanto ao filme musical que há aqui, que transforma a história sob essa licença poética, é todo feito de números coreografados e me desagrada quando tenho a impressão de que a edição vai transformando esses números num "pop clip". 

🌟 Mas há de se entender, além do desejo ardente da temporada em transformar "O Rei do Show" num dos seus filmes de vitrine, o apelo emocional americano. Em Maio de 2017, depois de quase 150 anos de atividade, o "Barnum Circus" fechou e fechou sob o assédio de sempre referente a acusações de exploração e abuso animal. É bom a gente pensar que a indústria cinematográfica é também sempre uma união do que lhe é útil ao que lhe é agradável. Mas o que quero observar de verdade são duas coisas: primeiro essa ousadia em se ter Michelle Williams tão "apagadinha", mesmo com todo o brilho que jogam sobre ela e ela terminar assim, só na presença mesmo; e, segundo, observar como me lembrei dos musicais de Baz Luhrmann. Para que fique registrado, curiosamente "O Rei do Show" é um filme enxuto, com bons caminhos, cativante, de bom resultado, mas, ao meu ver, não basta e não deixa de ser um reflexo de indústria.

" O REI DO SHOW " - The Greatest Showman - Dir. por Michael Gracey - EUA - 2017 - Distribuidora no Brasil: Fox

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