sexta-feira, 20 de julho de 2018

Bergman 100 Anos

"Documento e tratado, esse retrato violento forma o Ingmar Bergman mais próximo possível da humanidade!"

EXIBIDOR PARA O MAIS CINEMA: CINEMA CAIXA BELAS ARTES

Poucos são os retratos a respeito de alguém, como esse que se pode assistir agora nos Cinemas, onde essa raridade de cineasta, chamada Jane Magnusson, realiza um feito memorável: ela não só aproxima um gênio do público, como faz isso buscando um ponto de vista como se daquela forma agradasse até ao próprio personagem. E por que? Como ela consegue essa impressão? Porque, independente se tem paixão ou não por Bergman, se orienta a narrar o que propôs, por uma única via, a vida da honestidade. É aquela coisa: se alguém quiser me amar de verdade, já venha sabendo que tenho "qualidades", "defeitos" ou "qualidades" que você não vai achar tão "qualidades" assim e "defeitos" que você vai achar que são "defeitos", mais do que eu. Frequentemente, ícones e referências nos são transmitidos de forma a amá-los em seus legados e/ou contribuições. Não sabemos ao certo ou no todo como eles também chegaram em suas compreensões e há distâncias entre conhecimentos acadêmicos e pessoais. Nesse sentido, Jane Magnusson dá um salto, em compreender uma parte de Bergman e chegar numa compreensão extra-abrangente. Nos transmite isso da forma mais independente e da forma mais apaixonante possível. E faz isso mostrando o que a gente espera e também o que a gente não espera.

Provavelmente Ingmar Bergman seja mesmo o maior cineasta de todos os tempos ou 1 dos 3 maiores. É, por si só, um patrimônio da humanidade, desses que nascem 1 em 1 milhão. Descobrir tal criatura é de uma riqueza absurda. A diretora Jane Magnusson já havia trabalhado nas realizações "Bergmans Video" e "Trespassing Bergman", porém, parece ter encontrado a matéria-prima perfeita para rasgar o homem por trás das câmeras. Em algum momento ela se deparou com o fato de que o ano de 1957 foi um divisor de águas para Ingmar Bergman, foi o ano em que lançou 2 obras-primas, "O Sétimo Selo" e "Morangos Silvestres"; fez o filme "No Limiar Da Vida" para a televisão e dirigiu 4 grandes peças teatrais, uma delas "Peer Gynt", adaptação de Ibsen, que muitos tinham como inadaptável e que Bergman transformou num espetáculo inacreditável com duração de 5 horas. Tinha também 4 mulheres, dores estomacais e suas úlceras o dilaceravam. E, em meio a tudo isso, onde Bergman, de fato, está? Justamente porque, num ano de ímpeto de criativo e de ímpeto particular decisivo, esse homem precisa estar em algum lugar. E o que Jane Magnusson nos mostra é que esse homem entra em sucessivas contradições, mesmo quando ele mesmo conta ou escreve suas biografias. Dessa forma, ela nos propõe que os únicos momentos em que esse homem foi honesto com seus próprios sentimentos, foi em seus filmes. Logo, se quer descobrir Bergman, frequente seus filmes.

Enquanto desvenda o ano de 1957 para Ingmar Bergman, Jane Magnusson desvenda também como, a partir desse ano, o cineasta vai se abandonando em todos os seus filmes e/ou realizações de forma expressiva. Montado a partir de depoimentos de Bergman e depoimentos ainda mais assombrosos de seus colaboradores e de seus discípulos, contando com alunos e outros grandes cineastas, o documentário cresce. O resultado, o grande trunfo de "Bergman 100 Anos", é não se esquivar das polêmicas, do lado mais cabuloso e do relevo mais animal, que também constituiu o homem Bergman. Ao fazer isso, ao gravitar por todas as faces que formaram Bergman, a cineasta opera o triunfo de mostrar que, nossos ícones e "heróis", talvez tenham muito pouco daquela leitura "sacra" que insiste em ser produzida e é isso que, em "Bergman 100 Anos", estabelece uma presença fascinante do cineasta. Ele é muito mais "aquele sujeito" (sabe aquele sujeito?!), ao contrário da imagem cristalina que por vezes a gente tem e por isso também nos desperta.  Até o presente momento, pra mim, esse documentário extraordinário dirigido por essa raridade de cineasta chamada Jane Magnusson, ocupa o posto da "Menção Honrosa" no meu "Top 10" do Cinema em 2018. 

" BERGMAN 100 ANOS " - Bergman: A Year In A Life - Dir. por Jane Magnusson - Suécia/Noruega - Distribuidora no Brasil: Imovision Distribuidora De Filmes - Exibidor para o Mais Cinema: Cinema Caixa Belas Artes

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quinta-feira, 19 de julho de 2018

No Cinema: Meus homens desse dia 19 de Julho

Nesse dia 19: 1 ator excepcional e 5 cineastas excepcionais 



O britânico Benedict Cumberbatch, indicado ao Oscar por seu trabalho avassalador em "O Jogo Da Imitação", chega aos seus 42 anos de vida;  

O cineasta egípcio Atom Egoyan, do obrigatório "O Doce Amanhã", chega aos 58 anos de vida;  

o cineasta japonês Kiyochi Kurosawa, de obras-primas como "Sonata de Tóquio" e "Cure", chega aos 63 anos;  
outro japonês, o cineasta Hideo Nakata, a incrível mente visionária de "O Chamado" e "Água Negra", chega aos 57 anos;  

Abel Ferrara, cineasta extraordinário, de filmes como "Vício Frenético", "Maria" e, mais recentemente, "Pasolini", chegando aos 67 anos;  

e o premiadíssimo, o cineasta argentino Juan José Campanella, dos indispensáveis "O Filho Da Noiva" e do vencedor do Oscar "O Segredo Dos Seus Olhos", completando 59 anos de vida.  

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terça-feira, 17 de julho de 2018

Wong Kar-Wai

60 anos de vida hoje de um dos donos do meu coração

OS 3 FILMES DESSE GÊNIO QUE MARCAM MINHA VIDA COMPLETAMENTE

Dos maiores diretores de todos os tempos, o chinês Wong Kar-Wai, para quem o amor é como uma ilusão de ótica, vem há pelo menos 30 anos apertando corações com seus filmes belíssimos ou em todas as suas extensões. Ninguém filma o amor, nem os encontros e os desencontros de gente que ama, como Wong Kar-Wai. Até o presente momento, todos os seus 10 filmes me arrebatam completamente, mas continua sendo em "Amor Á Flor Da Pele", ainda sua obra-prima máxima, um dos melhores filmes de todos os tempos, onde ainda reside uma expressão acima de qualquer compreensão a respeito do amor. Wong Kar-Wai disse que os chineses não dizem "eu te amo", é um povo que prefere outras linguagens e comportamentos. Esta é uma semente que germina em seus filmes com sugestões, tensões e climas, alcançando um resultado indescritível. De fato, assistir um Wong Kar-Wai, é uma experiência de amor.

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domingo, 15 de julho de 2018

Hannah

"Hipnótico e absurdamente enigmático. Resumindo: está para Michael Haneke!"

Exibidor para o Mais Cinema
Cinema Caixa Belas Aryes

Me contorci em 2016, incomodado com a declaração desta atriz extraordinária, Charlotte Rampling, quando disse que as críticas a ausência de negras e negros indicados ao Oscar naquele ano era uma espécie de "racismo contra brancos". Lamentável ter de ouvir tais declarações, em pleno 2018, ainda mais de uma artista tao extraordinária. A vida seguiu. E volto a me contorcer com Charlotte Rampling, mas agora é por conta de mais uma demonstração de sua complexa construção artística, que opera em "Hannah" um resultado fulminante, vencendo completamente o espectador. Sempre digo que me fascino quando vejo uma atriz peso/pesado em papéis de gente que está, infelizmente, numa dimensão "abaixo". É o caso aqui de Charlotte Rampling.

Compreendo também o talento do cineasta italiano Andrea Pallaoro, que faz da narrativa de "Hannah" uma trajetória, como se resumisse uma vida e suas duras perspectivas, em uma hora e meia. A isto soma-se composições de enquadramentos belíssimos, que não se vê sempre no Cinema; como numa cena inicial, por exemplo, em que divide a tela por uma frigideira com ovos à direita e um cachorro desfocado à esquerda. Mas o que se segue são dezenas de composições com valor de tal arrojo. No entanto, o que me ganha de verdade em "Hannah", é tal capacidade de Charlotte Rampling em ocupar toda a dimensão de sua personagem, num entendimento abismal do texto e não extrapolar nessa mesma compreensão. Se houverem dúvidas, perceba-se como Charlotte Rampling sustenta um semblante amargurado durante todo o filme, uma expressão sútil e dramática

O termo "miserabilismo" é frequentemente utilizado na compreensão do Cinema austríaco de Michael Haneke, que mesmo achando a sociedade austríaca "emocionalmente gelada", rejeita interpretações de que esteja o tempo todo zangado com ela. Pois é, este Cinema feito por Andrea Pallaoro ecoa no miserabilismo do Cinema de Haneke. "Hannah" é um filme belíssimo sobre a vida "pancada" de uma mulher, mãe, esposa e empregada. Uma vida num nível abaixo, sem muita conexão vívida ao redor e por vezes mecânica. Não sei até que ponto serve como "crítica", mas sem pensar nisso, o resultado do Cinema de Pallaoro é tátil na esfera artística e isso é expressivo. Por fim, ainda bem que Charlotte Rampling ganhou o prêmio de melhor atriz no "Festival de Veneza/2017", ainda bem! 

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sábado, 14 de julho de 2018

Bergman 100 Anos



Minha gente, por favor, preciso falar:
Dói demais. Ontem chorei muito 😢, chorei como criança e permaneci desolado durante todo o dia, sentindo uma dor profunda. A imprensa assistiu, em São Paulo, ao documentário " BERGMAN 100 ANOS " e foram tantas emoções que explodiram dentro de mim e muitas delas que me surpreenderam de forma fatal. Mesmo amando o diretor Ingmar Bergman há tantos anos, mesmo assistindo seus filmes há tantos anos, pude sentir ontem que nível de relação desenvolvi com ele e sentir como essa relação faz parte de mim e ajuda a definir minha existência. Tal é o poder presencial desse documentário extraordinário, feito sob inteligência descomunal da cineasta Jane Magnusson, que ao primeiro surgimento do rosto de Bergman, meus olhos marejaram. Essa reação vem automaticamente por conta do meu amor por Bergman, porém também é resultado da captação impressionante da diretora. Mas o que aconteceu ontem comigo foi além, foi ver Bergman e, gradativamente, ficar com o coração apertado até doer de saudade. E continua doendo. Me admirei completamente em descobrir que tudo que eu queria era dar um abraço em Bergman. Como jornalista, é lógico que uma entrevista seria uma alegria, mas um abraço, dar um abraço em quem eu amo e nunca pude estar com ele, seria um encerramento. Por isso dói em mim. Eu o via na tela e me confirmava: eu te amo, realmente eu te amo, que saudade de você. Me questiono como posso sentir amor (amor por definição) por uma pessoa que só conheci através dos filmes que fez, os únicos filmes que, de fato, me reviraram e me rasgaram, que me traduziram. Eu não o conheci, não estive com ele (como estou com meu pai em casa, por exemplo), mas o amei completamente, um dia eu o descobri e eu senti que ele se revelou a mim. De modo que ontem, assistindo ao documentário, era como se eu estivesse tendo um pouquinho do que nunca tive: sua presença um pouquinho mais próxima. Também percebi que o que dói em mim é se sentir um pouquinho órfão, por ele ter partido. É literalmente esse o nível de amor que eu sinto por Ingmar Bergman, talvez o maior cineasta da história do Cinema (e, pra mim, é) e o grande amor da minha vida. Que eu me renove sempre em sua presença ❤️

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terça-feira, 10 de julho de 2018

Golshifteh Farahani e Chiwetel Ejiofor



~ Golshifteh Farahani ~ Minha iraniana do coração, chega aos 35 anos de vida, com praticamente 20 anos carreira e ganhando o Cinema internacional. Recentemente foi vista no Festival Varilux do Cinema francês em "A Noite Devorou O Mundo", que está quase estreando nos cinemas e também será vista em "Les Filles Du Soleil", recém saído de Cannes/2018, da cineasta Eva Husson. Já trabalhou em "Pater" com Jim Jarmush e em "Dois Amigos" com Louis Garrel, mas permanece sua atuação no extraordinário "Procurando Elly", de Asghar Farhadi, sua maior obra-prima em interpretação, o que ela faz ali é um verdadeiro assombro!

~ Chiwetel Ejiofor ~ Esse londrino maravilhoso chega aos 41 anos de vida, com mais de 20 anos de carreira e com a honra de, nos inícios, estar presente em "Amistad" com Steven Spielberg. De lá pra cá, trabalhou com Stephen Frears no estarrecedor "Coisas Belas E Sujas", com Woddy Allen no delicioso "Melinda E Melinda" e com Alfonso Cuarón no extraordinário "Filhos Da Esperança". No entanto, fez história ao ser indicado ao Oscar/2014 como melhor ator, por sua atuação emblemática (e chocante) em "12 Anos De Escravidão"

Também hoje: Sofia Vergara chega aos 46 anos de vida e Cary Fukunaga aos 41 anos de vida.

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segunda-feira, 9 de julho de 2018

Tom Hanks

Senhoras e Senhores: os 62 anos de Tom Hanks ❤ 



Foi anunciado que ele produzirá e estrelará o remake de "Um Homem Chamado Ove", filme sueco extraordinário, indicadíssimo ao Oscar/2017. Além disso está em gravações de "Greyhound", drama de guerra naval, que escreveu. Bem, o nome dele é Thomas Jeffrey Hanks, é um dos atores mais extraordinários de sua geração, é também um tremendo produtor e tem atuações memoráveis, sob a direção de diretores ainda mais memoráveis e, não dá para não mencionar que, pelo menos duas atuações mais comoventes da história do cinema pós anos 90, são dele e lhe valeram o Oscar como melhor ator: em "Filadélfia", como Andrew Beckett e em "Forrest Gump - O Contador De Histórias" como Forrest Gump ❤  

São quase 40 anos de carreira. Só entre Oscar e Globo de Ouro, são quase 15 indicações, mas, como está na imagem, os números vão além. (Outro ator, o extraordinário, Chris Cooper também chega hoje aos 67 anos de vida)

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The Favourite

Cinéfilas (os), ATENÇÃO, ALERTA de PUTA QUE PARIU 😱

   😱 1º teaser trailer de " THE FAVOURITE " - Depois de " O SACRÍFICIO DO CERVO SAGRADO ", o cineasta grego Yorgos Lanthimos retorna com esse filme, que acaba de ter seu 1º teaser lançado pela Fox Searchlight e cuja estreia, lá fora, está prevista para Novembro. Já vimos centenas de filmes de época, mas o que ainda não vimos é como um filme desses sairia da mente "macabra" e debochada de Yorgos e eis que agora nossos desejos são atendidos! 


   😱 Emma Stone + Rachel Weisz + Olivia Colman + Nicholas Hoult + Mark Gatiss + Yorgos Lanthimos = " THE FAVOURITE " - A corte inglesa nunca será a mesma, depois que o cineasta grego filme de que forma Rachel Weisz e Emma Stone disputam o cargo  de principal "influencer" - e ser amante vem junto - da rainha Anne. O resultado é o reinado virar um pandemônio e prestem atenção em algumas cenas absurdas que aparecem no trailer. Venha Yorgos, venha logo!

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domingo, 8 de julho de 2018

Angelica Huston

Senhoras e senhores:



 🎬 Os 67 anos de Angelica Huston  🎬    

São 67 anos de vida, com praticamente 50 anos de carreira, com 3 indicações ao Oscar, saindo vencedora em 1986, como melhor atriz coadjuvante em "A Honra Do Poderoso Prizzi ", filme do pai, o famoso John Huston. Presente em filmes inesquecíveis, faz parte da vida de muita gente e recentemente teve sua voz no ótimo "Uma Escala Em Paris " e, brevemente, também poderá ser ouvida em "Ilha De Cachorros ", de Wes Anderson.

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terça-feira, 3 de julho de 2018

Desobediência

"De desobediente, esse filme não tem nada, pelo contrário, tem a dimensão que um trovão parece ter. É um dos maiores dramas do ano e dos mais belíssimos!"


CARTAZ CEDIDO PELO PATROCINADOR: CINEMA CAIXA BELAS ARTES

Vamos nos localizar, principalmente quem terá o primeiro contato com o Cinema de Sebastián Lelio: o drama "Desobediência" (baseado no romance da inglesa Naomi Alderman e adaptado por Sebastián Lelio e pela roteirista Rebecca Lenkiewicz, que também ajudou a escrever o filme "Ida", grande vencedor do Oscar/2015 como melhor filme estrangeiro) é o 6º filme escrito e dirigido pelo chileno Sebastián Lelio, e o primeiro feito fora do Chile e em língua inglesa. Ele praticamente foi descoberto internacionalmente pelo filme "Gloria", que capta uma personagem de 58 anos, não vista com frequência no Cinema e que não cede a compreensões imediatistas, ou seja, uma personagem rara que, de fato, precisa ser observada, pois nunca existiu alguém como Gloria (e o filme conta ainda com a atuação extraordinária de Paulina Garcia); depois Sebastián surge com o obrigatório "Uma Mulher Fantástica", grande vencedor do Oscar/2018 de melhor filme estrangeiro e que olha para uma transexual no olho de um furação, após a morte de seu homem (outro filme que conta com uma atuação devastadora, aqui da atriz Daniela Vega). Então, dentre os talentos do Cinema feito por Sebastián Lelio, conclui-se a concretude da visibilidade com que filma suas personagens, conclui-se a visibilidade que dá as suas personagens, pouco filmadas dessa forma tão imensa e com tanta pontualidade; e também conclui-se sua entrada dentro de habitats munidos de organismos tão próprios, mas que, sem eles, o mundo, como um todo, não faria o sentido que faz. E é de toda essa mínima compreensão que esse diretor surge com seu 3º filme, o glorioso e dramático "Desobediência".

A sequência que introduz o início de "Desobediência" é belíssima. O rabino fala à sua comunidade judaica do norte de Londres, prega sobre o livre-arbítrio aos olhares atentos dos judeus e seus movimentos oferecem imagens de encher os olhos. De repente cai morto. Ao descobrir que o pai morreu, a fotógrafa britânica Ronit sai de Nova York e chega para a celebração de despedida. É recebida pelo primo Dovid, acolhido como seu irmão pelo pai e que é casado com Esti, sua amiga de infância. Os 3 eram inseparáveis. Ronit é recebida com hostilidade pelos presentes, pois os motivos de desobediência pelos quais ela foi viver longe, são intoleráveis as suas raízes. Seu retorno culmina na principal desobediência: o amor e a paixão por Esti. Esse é o esboço mais econômico e qualquer esboço que se faça não conseguirá transmitir um mínimo da dimensão do teor deste drama de quase 2 horas, feito de forma fatal, sem dar ao espectador a chance de resistir. O poder de persuasão e de repercussão sobre os conflitos desses personagens, conseguem nos dobrar e são expostos com a franqueza que o diretor tem pela interpretação dos mundos que apresenta. Pouco a pouco ele desata a posição de todos os personagens dentro da comunidade e narra a história como se estivéssemos lá dentro. O resultado é sem igual. Pois este diretor consegue fazer como poucos que tenhamos a tão dita "misericórdia" ou a plena empatia, ou seja, literalmente nos coloca no lugar de outra pessoa.

E há de se observar a grande capacidade do Cinema deste diretor em se manter no tom e nas afinações. Interessante observar em "Desobediência" como pairam linguagens universais e elementos narrativos, pois temos uma figura de triângulo amoroso, temos o retorno de um personagem a um ambiente, temos um amor reprimido ou um amor do passado e, por fim, temos uma saborosíssima sequência de fuga entre personagens que se amam. A qualidade de seus filmes são inquebrantáveis, do teor do texto, da abundância técnica e climática (cores, tensões, imersão, enquadramentos), à sabedoria de dirigir um elenco de peso (no sentido de realmente saber o que fazer com um elenco internacional poderoso e saber se comunicar com ele). As atrizes Rachel Weiz e Rachel McAdams estão magníficas e irresistíveis. Em alguns momentos é Rachel McAdams que cresce de forma cavalar e faz o espectador se contorcer por ela. Contudo, os filmes de Sebastián Lelio sempre trazem homens afinadíssimos e, aqui, Alessandro Nivola é um assombro e cabe a ele a responsabilidade de um monólogo extraordinário ao final que, ao lado do monólogo do pai em "Me Chame Pelo Seu Nome", promove uma das melhores sequências a se ver no Cinema em 2018 e se torna um dos melhores atores coadjuvantes do ano. E, pra terminar, e pra reforçar a lição desses 3 filmes indispensáveis de Sebastián Lelio (bem como a lição derradeira de seu Cinema) preciso mencionar uma sequência com um abraço triplo em "Desobediência" que põe um ponto final na vida: o amor supera tudo.

" DESOBEDIÊNCIA " - Desobedience - Dir. por Sebastián Lelio - UK - 2018 - Distribuidora no Brasil: Sony - Exibidor para o Mais Cinema: Cinema Caixa Belas Artes

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domingo, 24 de junho de 2018

Hereditário

"Magnífico, um dos 10 melhores filmes do ano!

Esse filme, literalmente, adora o diabo!"


EXIBIDOR PARA O MAIS CINEMA: CAIXA BELAS ARTES

Corpos decapitados, formigas saindo pela boca, sessões de invocação dos mortos, rituais de conjuração, acidentes, possessão, infestação diabólica de casas, bruxaria, ocultismo, a presença de espíritos por luz, enfim,  são dezenas de ocorrências  malditas acontecendo  dentro do filme de estreia do americano Ari Aster, a pequena obra-prima chamada "Hereditário". Além de todos os recursos com que o texto deste filme se demonstra substancioso, há uma sanidade consciente na originalidade com que se utiliza de dezenas de elementos, sem nenhuma dúvida de que veio para se posicionar com força nesse momento em que o terror, enquanto gênero, vive uma verdadeira primavera, ressurgindo por vários lados. O filme de Ari Aster está entre os espetáculos inovadores criados por filmes como "Corrente Do Mal" e "A Bruxa", mas também está entre os picos altos do gênero promovido pelas belezas de James Wan, em "Sobrenatural" e "Invocação Do Mal". É um fenômeno e, se você prestar bem atenção, enxerga ainda o filme gravitar pelo pós-terror e até ecoar pela obra-prima de Michael Haneke, "A Fita Branca" (vide a cena em que um pássaro é um decapitado). Com o fascínio pela narrativa, "Hereditário", mesmo em momentos que poderia cair em absurdo (quando, por exemplo, reencena a invocação espiritual dos mortos pelo copo), consegue se levar tão a sério, contribuindo em tudo pelo seu principal resultado (e por isso também o filme é tão maravilhoso): é um filme que, literalmente, adora o diabo. E raros filmes realmente o adoram.

Não adianta ficar falando sobre a sinopse, pois o que temos aqui é um filme a ser experimentado, acima das explicações. Parte, sim, da estrutura doméstica familiar e se desvencilha dela a tal ponto que, como afirmou o diretor, "Hereditário" ataca medos sem remédio, como medos da morte e medos provenientes das suspeitas sobre as pessoas mais próximas. Sendo assim, é muito bem sucedido em transformar uma imagem de família em peças de uma maldição e desconstruir, pouco a pouco, o mínimo de elos que havia entre todos. É um pesadelo desesperador. Os filmes mais apavorantes que temos visto são os que nos mostram que não adianta lutar contra, onde os personagens são peças que estão sendo encaixados meticulosamente num grande tabuleiro maldito. Me lembrei de "A Chave Mestra" que proporciona um fascínio semelhante. Porém, sendo assim, o que conta para o espectador é de que ponto de vista esse encaixe vai acontecendo e como o espectador vai se inserindo. Nesse sentido, saí chocado da sala de Cinema, com a sensação que, se eu ficasse mais um pouco ali, eu também me transformaria em peça daquele trabalho. E, mais uma vez, se você prestar bem atenção, verá que muitas sugestões a respeito do que realmente estamos assistindo, estavam ali o tempo todo e por isso também o filme de Ari Aster é muito bem sucedido. Quando um filme espalha o terror por tudo, usa seus sinais, sustenta seus elementos e só se enverga até o fim, então sabemos que esse filme é muito bom.

Falar do elenco é um prazer sem igual e, logicamente, Toni Collette é mais uma vez extraordinária. Seus monólogos são vertentes sem tempo pra piscar. Foi também um prazer imenso assistir Gabriel Byrne exibindo o melhor de si, um ator maravilhoso. Outro ponto alto de "Hereditário" é a jovem Milly Shapiro (que fez "Matilda" na Broadway), peça importantíssima do filme e que vai muito longe. Daí precisamos mencionar a extraordinária Ann Dowd, numa participação coadjuvante igualmente extraordinária, como a mulher que nos introduz a invocação dos mortos e ela que foi indicada ao Globo de Ouro como melhor atriz coadjuvante por "The Handmaid's Tale" e que foi a grande vencedora do Emmy na mesma categoria, pela mesma série. Contudo, em "Hereditário", não adianta, ao lado do que Toni Collette faz, é Alex Wolff (que está no novo "Jumanji") quem rouba a cena. Carrega muito do filme, é peça chave e se sustenta o tempo, é incrível. Já a direção de Ari Aster é um primor, seus enquadramentos são perfeitos (repare como filma dentro da casa e como se desloca dentro da mesma), sua inteligência em não cair na tentação de esvair as sugestões de horror, quando somadas, geram um espetáculo sensacional. Sem contar que criar uma paisagem para o filme e colocá-la dentro do imaginário, como parece caber o uso do diorama como um elemento, também é uma ideia visionária, original e inteligente. Até o presente momento, "Hereditário" é o melhor filme de terror de 2018 e, pelo menos pra mim, é convicção: é um dos 10 melhores terrores do ano.

" HEREDITÁRIO " - Hereditary - Dir. por Ari Aster - EUA - 2018 - Distribuidora no Brasil: Diamond - Exibidor para o Mais Cinema: Cinema Caixa Belas Artes 

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quarta-feira, 13 de junho de 2018

Oito Mulheres E Um Segredo

"Elas estão lá e brilham, mas o filme é mais do mesmo!"



É uma grande vitrine, muito mais do que de jóias e roupas, de mulheres cujas presenças tem força como um barulho de trovão. Assistir Sandra Bullock contracenando com Cate Blanchett é de uma beleza sem igual, mas o filme não se fascina em nenhum momento em ter essas mulheres, tampouco se fascina pela oportunidade que encontra de oferecer o protagonismo feminino. Na minha compreensão, um bom filme não é somente aquele que cumpre boa parte do que se propõe com competência; um bom filme é aquele que encontra uma originalidade, seja ela numa medida grande ou mesmo pequena. "Oito Mulheres E Um Segredo", enquanto filme de gênero (comédia, aventura) ou sub-gênero (filme de roubo), mantém as mesmas saídas de todos os outros filmes, com momentos engraçados e outros apreensivos. Porém, quando você espreme com força, talvez não tenha tanta coisa pra pingar assim. E, ser "engraçadinho", divertido e essas coisas, pelo menos pra mim, depois de milhões de filmes iguais, é difícil engolir e não basta. 

Por outro lado, "Oito Mulheres E Um Segredo" ecoa o "me too", ecoa o protagonismo de mulheres, ecoa visibilidade, ecoa outra imagem muito mais real. Coloca muitas mulheres juntas, muitas mulheres diferentes uma das outras, num tipo de filme que até então, em Hollywood, predominou a produção com homens e, ao fazer isso, cria uma outra paisagem, um outro clima e respira outro interesse. Embora a produção tenha ganhado vida muito antes de tantas acusações de assédio, ele também encontra um lugar atual, porém, tanto Sandra Bullock, quanto Anne Hathaway, deram declarações dizendo que o filme surgiu bem antes de tudo, com um novo olhar para a franquia, retomando-a com mulheres e dizendo também que há poder nesse filme conter tantas mulheres unidas, que isso é político, mas que também é um filme de gênero. Justamente, tentam encontrar um equilíbrio maduro entre o lugar político e o reconhecimento artístico, um esforço as vezes realmente árduo em tempo polarizados e em tempos que, em tantas plataformas, precisam ser resistentes. Pois, pra mim, é válido, mas o que não é válido, é o filme ser mais do mesmo e, depois de um tempo desaparecer da minha mente. (Obs.: "Missão Madrinha De Casamento" continua gritando dentro da minha memória)

" OITO MULHERES E UM SEGREDO " - Ocean's 8 - Dir. por Gary Ross - EUA - 2018 - Distribuidora no Brasil: Warner - Exibidor para o Mais Cinema: Caixa Belas Artes.

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domingo, 3 de junho de 2018

A Natureza Do Tempo

"O ontem e o hoje, na atual Argélia, de muitas histórias a serem contadas!"



Este é o primeiro longa do diretor argelino Karim Moussaoui que, em 2017, exibiu "A Natureza Do Tempo" na mostra "Um Certo Olhar" em Cannes e concorreu ao prêmio "Câmera de Ouro". Pretende, neste filme, "respirar" e mapear um tanto da atual Argélia, entrando e saindo pelas histórias de personagens, que encontram conexões uns com os outros e que, através de como a estrutura desse filme é feita, querem dizer que, nesta Argélia, há histórias a serem descobertas e contadas. Enriquece perceber neste filme a intersecção de personagens, que pertencem a gerações diferentes e que estão condicionados, em algum momento e em alguma medida, ao que seu país carrega: os efeitos de sua história. 

Um construtor presencia uma agressão entre os becos argelinos e não toma partido; uma jovem argelina parte para seu casamento, mas é com o motorista que criou um laço; um médico está sob desconfiança de que teria estuprado uma mulher no passado e vai ao encontro dela, quando ela reaparece com uma criança. São passagens que falam de ética, de dívida, de teor moral, de destino, de tradição e que falam, sobretudo, como esses personagens estão vivendo essas passagens tendo de tomar suas decisões ou tendo de viver sob decisões tomadas no passado. O diretor não toma julgamento sobre seus personagens, ele os observa e o filme cresce frente aos conflitos.

A Argélia sofreu demais com suas principais guerras, tanto com a guerra da independência na década de 50, quanto com a guerra civil na década de 90. Como são as reflexões nesse país cheio de histórico, cheio de conflito religioso, cheio de tradição e "cheio de homens"? É uma das propostas do filme, ao colocar seus personagens reagindo e seguindo. O diretor Moussaoui filma, em alguns momentos, realmente muito bem. Impacta o espectador com algumas sequências muito decisivas: a longa sequência do construtor conversando com a ex-esposa; a sequência do casal fora do hotel e, por fim, a sequência em que o doutor ouve a mulher que foi estuprada. São momentos em que o filme deseja ser sublime e, ainda que falte algum ingrediente para esse sabor, ainda assim elas conseguem demonstrar o tato do cineasta em intrigar o espectador. 

Há alguns detalhes e concessões interessantes, utilizados pelo roteiro, para flertar com a vivência da tradição e da atualidade. O uso da música, por exemplo, foi utilizado para surpreender a narrativa, ora com a inserção de uma apresentação de uma dança tradicional, ora com a inserção de uma banda marcial no deserto e ambos os momentos deixam uma boa impressão. Contudo, o filme do diretor Karim Moussaoui quer meditar com o espectador, meditar sobre a Argélia que tem histórias e, ao final, surge o que poderia ser sua quarta história. O filme ganha em exibir uma consciência em saber de sua densidade e não abusar do peso que, por si só, já tem.

"  A NATUREZA DO TEMPO " - En Attendant Les Hirondelles - Dir. por Karim Moussaoui - Argélia - 2017 - Distribuidora no Brasil: Imovision 

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quinta-feira, 31 de maio de 2018

Agnès Varda

Senhoras e senhores: os 90 anos de vida da Senhora Agnès Varda



Ainda estão entre nós pessoas que significam um patrimônio da humanidade e que, em sua história, carregam o peso de pertencerem a gerações muito anteriores as nossas e, dessa forma, de haverem atravessado por boa parte da história do mundo. É urgente que ainda saibamos respeitar e exaltar essas servidoras e servidores da humanidade. Um desses nomes que segue entre nós é a diretora de Cinema, a belga/francesa Agnès Varda, que na última quarta-feira (30), chegou aos 90 anos de vida e que, graças a todas as deusas e deuses do Cinema, vem ganhando todos os reconhecimentos por sua contribuição para com a humanidade, tanto através da sua movimentação artística no Cinema, quanto na vida em si. 

No último ano, o documentário " VISAGES VILLAGES ", arrebatou multidões desde Cannes/2017, ao registrar uma jornada da diretora francesa, movida pelo fotógrafo J.R., através de pequenas cidades, vilarejos e ao encontro de pessoas comuns, dessas por quem Agnès Varda depositou todo seu interesse durante a carreira. O resultado, além de emocionante, é uma das mais raras homenagens promovidas no Cinema, a uma de suas lendas e devolvendo a essa mesma figura o olhar com o qual transformou a história. É de fazer cair lágrimas o carinho com que J.R. trata Varda e a simplicidade com que Varda se relaciona com o mundo. Uma pena que o documentário não venceu o Oscar/2018, prêmio que poderia ter continuado o louvor em vida a uma das mulheres mais preciosas do Cinema, ainda que tenha recebido o Oscar honorário.

Agnès é a mãe da movimento Nouvelle Vague e ainda permanece poderosíssimo seu resultado em "Cléo Das 5 Às 7". Agnès foi casada com o também importante cineasta Jacques Demy e se tornou a guardiã mais incansável da obra do marido. O protagonismo feminino nos filmes de Agnès é uma pérola do Cinema, bem como o seu  "ser diretora", uma grande curiosidade em 1954. Esta mulher chega agora aos 90 anos de idade, com o ânimo da vida e em plena atividade. Ela que quebrou paradigmas, que foi mulher do Cinema, inspirando e encorajando tantas outras mulheres e que merece por todo o sempre nossa mais sincera homenagem.

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quarta-feira, 30 de maio de 2018

Elsa & Fred

Cinéfilas, cinéfilos, atenção: IMPERDÍVEL



Caixa Belas Artes apresenta Cineclube da Morte, com a exibição de “ ELSA & FRED ” em versão original, no próximo 05 de junho!
Evento mensal de grande sucesso, o próximo Cineclube da Morte já tem filme e data definidos! A sessão, seguida de debate com a Dra. Ana Claudia Arantes e o coach Tom Almeida, idealizadores do projeto, será em 05 de junho (terça-feira), às 19h30, com a exibição de “Elsa & Fred”, a versão original de 2005, do diretor argentino Marcos Carnevale, estrelada pela sensacional dupla China Zorrilla e Manuel Alexandre.
A comédia acompanha o intenso romance entre a espevitada Elsa e o pacato Fred, um improvável casal unido pelo acaso para ensinar ao espectador uma grande lição de vida, através de um brilhante roteiro que rendeu até uma refilmagem americana.
Fred, um viúvo de 78 anos, tem apenas a companhia de um cachorro, desde que sua esposa faleceu, há menos de um ano. Morando em um apartamento alugado pela sua sistemática filha, ele é hipocondríaco e bastante melancólico. Isolado em casa, Fred jamais poderia imaginar que o destino, literalmente, bateria à sua porta. É quando entra em cena Elsa, sua nova vizinha com idade próxima da dele, porém, uma mulher vaidosa e cheia de vida. O primeiro contato ocorre no momento em que ela o chama para lhe entregar um cheque endereçado à filha dele para cobrir os estragos causados em um acidente de carro. Péssima motorista e boa de lábia, ela conta uma história triste fazendo com que Fred não aceite o pagamento. Inicialmente, os dois se tornam amigos, mas a crescente cumplicidade os leva a um inevitável namoro cheio de loucas aventuras.
Fazendo valer o clichê de que os opostos se atraem, Elsa chega para injetar ânimo e vontade de viver no deprimido Fred e assim nos alertar para a importância do amor e do companheirismo na terceira idade. E se os mais velhos têm muito a nos ensinar, a experiente e destemida Elsa diz a Fred esta preciosa frase digna de reflexão: "Eu não acho que você tenha medo de morrer. Acho que você tem medo é de viver".
Imortalizados nesta obra-prima, a uruguaia China Zorrilla e o espanhol Manuel Alexandre, os magníficos atores protagonistas, já são falecidos. Ela partiu em 2014, aos 92 anos, e ele em 2010, também aos 92. 

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domingo, 27 de maio de 2018

O caso Morgan Freeman



O nome dela é Chloe Melas. É a repórter da CNN, quem começou a investigação e que alegou ter vivido uma situação desconfortável com Morgan Freeman. Grávida de 6 meses, foi entrevistar o ator por ocasião do lançamento de um filme e, ao entrar na sala, alega que ali se iniciaram comentários de cunho sexuais, olhares, até que, em determinado momento, em meio a comentários sobre a gravidez da profissional, Morgan solta "Eu queria ter estado lá". O episódio chamou a atenção da repórter, pasma com aquele comentário e sentiu-se desconfiada. Foi o estopim do início de uma investigação. A repórter começou a falar com várias pessoas. Conversou com Tyra Martin, que fez por aí de 9 entrevistas com o ator e que diz em que, em todas as vezes, havia um comportamento inapropriado, mencionando que, em uma das vezes, foi arrumar a saia e ouviu do ator "não abaixe a saia agora". A investigação chegou também a empresa do ator e parece se constatar que lá também havia o mesmo comportamento. O resultado é que, até o presente momento, a CNN conversou com 16 pessoas e ,dessas, pelo menos 8 mulheres admitiram situações desconfortáveis, toques desconfortáveis e comentários constrangedores. 

O ator vem se defendendo, dizendo estar devastado, dizendo que os oitenta anos de sua vida podem ser destruídos num piscar de olhos; disse também que qualquer acusação é falsa e que jamais assediou alguém ou criou ambiente inseguro, onde algo, como aumento ou emprego, se trocasse por sexo. 

Que se investigue, que se averigue, que se denuncie, que se fale sobre, seja sobre quem for e que qualquer tipo de assédio e a cultura do assédio chegue ao fim.

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domingo, 20 de maio de 2018

Assunto De Família

Distribuição garantida pela distribuidora Imovision 



O filme do grande cineasta japonês Hirokazu Kore-Eda, que arrebatou ontem a Palma de Ouro de Cannes/2018, trata de uma família pobre, do trambique, que acolhe uma menina e que põe essas crianças para roubarem no supermercado, mas iniciando um processo muito humano a partir da adoção. Uns chamaram de o novo "Oliver Twist" e outros chamaram a atenção para a dureza deste filme. Nos Cinemas brasileiros a partir do segundo semestre.

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sábado, 19 de maio de 2018

Palma De Ouro- Cannes/2018 - Assunto De Família



55 anos de vida, passando dos 30 anos de carreira e, agora, premiado com a Palma De Ouro em Cannes/2018. Um dos maiores cineastas japoneses de todos os tempos, dono de, pelo menos, duas obras-primas, uma em "Depois Da Vida" e a outra em "Andando", mas sustentando sempre um nível de surpresa em todos os seus filmes. Ora grande filósofo da vida, como em "Pais E Filhos", ora grande inventor de parábolas, como o devastador "Boneca Inflável", fato é que Hirokazu Kore-Eda, ao que tudo indica, chega em "Assunto De Família", no momento mais inexplicável de sua carreira.

DISTRIBUIÇÃO NO BRASIL DA EMPRESA IMOVISION
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sexta-feira, 18 de maio de 2018

Um olhar para o Cinema de Luca Guadagnino

FOTOGRAFIA FEITA NA ÓTICA NOSSA SENHORA DO BELÉM

1 - Ambos os filmes de Luca Guadagnino significam uma chegada ao topo da escalada cinematográfica, ou seja, são momentos de contemplação de uma rara beleza. Após "Me Chame Pelo Nome", relutei em continuar protegendo "Eu Sou O Amor" como a obra-prima de Luca até o presente momento, no entanto, fui vencido pela crença de que ambos os filmes, na verdade, seguem empatados. Isto, sem nenhuma necessidade obrigatória de que assim seja e que, no caso, é uma percepção somente minha.

2 - Fato é que "Eu Sou O Amor" se tornou um dos filmes italianos mais indispensáveis da última década e Luca Guadagnino conseguiu esse feito. O talento sensorial de como Luca engenha a forma de contar suas histórias cria um relevo que, a certa altura, parece um mapa. "Eu Sou O Amor" mergulha na derrocada da sociedade italiana e conta sua história a partir do personagem mais vitimado: a mulher. A russa interpretada pela magistral Tilda Swinton é a estrangeira, estrangeira e italiana, a mulher que só depois de haver feito uma família sob as egides religiosas, culturais e patriarcais daquela sociedade, enfim inicia um processo de se apropriar de si mesma. Porém, a história não é pessimista, ela tem um tom acima, pois esse não é mais um filme a mostrar a derrota, pelo contrário, é um filme de ascensão. A mulher de "Eu Sou O Amor" é glorificada, ela blinda seu processo e toma posse da sua caverna. Aliás, na última década, bons filmes italianos surgiram, demonstrando a derrocada da sociedade italiana e centrados na mulher como, por exemplo, o filme "Que Mais Posso Querer"

3 - Um ano depois de "Moonlight" também se tornar um dos filmes da década, agora parte integrante do compêndio do Cinema americano pós anos 2000, Luca Guadagnino também reflete, na Itália, a natureza homossexual (ou tão somente sexual) e empossa "Me Chame Pelo Seu Nome" como uma aula. Levanta personagens eruditos, que se descobrem um ao outro e se apaixonam um pelo outro, para dizer que a percepção da natureza humana precisa ser liberta da ignorância. Tem muitos talentos e todos primamente envergados. Me admira perceber que "Me Chame Pelo Seu Nome", adaptado de sua obra literária, nas mãos de Luca Guadagnino se torna um filme onde o processo da descoberta sexual e afetiva, é tão rico e protegido, como a cultura e intelectualidade que os personagens exalam. É uma visão (e bem visionária mesmo) a demonstrar o tratamento que a concepção humana merece. Por isso também, o monólogo do pai, ao final, gruda em nós e nos arrebata.

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sábado, 5 de maio de 2018

The House That Jack Built



Cannes/2018 se aproxima, e depois de um teaser/trailer e novas imagens, um novo poster para "The House That Jack Built" chegou. Nele, Matt Dillon está entre a cortina de plástico, caracterizado de óculos, com o cabelo sobre a testa e com aquele olhar, no melhor estilo "mirando na presa" e à espreita. 

No filme do senhor Von Trier, seguiremos o inteligente Jack por 12 anos, atravessando pelos assassinatos que o tornam um serial killer. Ele enxerga suas matanças como obras de arte. Quando eu penso que Lars também vai provocar, tocando naquele tabu do desejo que a gente tem de "matar", eu fico ensandecido. 

Para reafirmar as filmagens de seu novo filme, o cineasta postou uma foto em 2017,  fazendo referência ao filme "Vampyr", clássico do mestre Carl Theodor Dreyer, de 1932. Disse que como estava filmando, resolveu fazer uma foto evocativa com uma referência cinematográfica. Estamos aguardando pelas primeiras reações à "The House That Jack Built", assim que o filme for exibido em Cannes, a partir do dia 8.

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sexta-feira, 4 de maio de 2018

Foto para Arezzo

FOTO PARA A LOJA AREZZO DE ITATIBA COM BOTA DE CANO MÉDIO


~ A Arezzo é Arrazzo ~ Novamente, tive o prazer de fotografar para a Loja Arezzo de Itatiba, que anuncia comigo nos Canais Mais Cinema e que incentiva/apoia meu trabalho como Blogueiro de Cinema e como Blogueiro de Itatiba. Agradeço do fundo do coração a senhora Carina e as lindezas das meninas que formam a equipe Arezzo de Itatiba <3

Sobre a foto: nos meus pés, bota de cano médio e de salto bloco alto, em couro macio na cor Brown, com bico levemente afinado e esbanjando estilo no detalhe em malha metálica sobre o cano. Esta é uma peça coringa e que favorece diferentes visuais e estilos. 

Dia das Mães: a Arezzo preparou sacolas personalizadas (reparem à direta na foto em cima do puff), para que você escrever sobre a sacola, sua dedicatória à mãe. Quanto as peças especiais para o Dia das Mães, os preços estão um luxo, a partir de R$ 99,90 e pode dizer também que viu a doto ""do Daniel Serafim".

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quinta-feira, 3 de maio de 2018

Todos Lo Saben


~ Filme de abertura de Cannes/2018 ~ Quero comentar minha impressão quanto ao primeiro teaser de "Todos Lo Saben", nova realização do consagrado Asghar Farhadi, que se tornou na última década a grande influência do Cinema iraniano, chegando a vitória de 2 Oscars num espaço de 5 anos, com os obrigatórios "A Separação" e "O Apartamento". É fato que na última década os textos, as inventividades narrativas mais entranhadas, são talentos que estão somente nos filmes do senhor Farhadi e que tem ecoado por outros Cinemas.

Em "Todos Lo Saben", Penélope Cruz viaja para uma cidade fora de Madri com a família, afim de participarem de uma celebração. Uma ocorrência impetuosa irrompe sobre todos, desencadeia uma série de outros eventos e, pouco a pouco, desconfiança, moral e transparência tornam-se fatores decisivos. Os esqueletos dos textos do senhor Farhadi continuam presentes, a impotência das coisas que vão se tornando incontroláveis e que se estendem violentamente sobre todos a sua volta. E pelo menos duas coisas sobressaltaram aos meus olhos em "Todos Lo Saben": me chamou a atenção como, observando atentamente ao teaser, me lembrei de "Procurando Elly", uma pequena joia rara do senhor Farhadi intrinsecamente ligada a ética e a inexistência de tal exercício, com um resultado magnífico da exploração de tal tema. A segunda coisa que me chamou a atenção é essa curiosidade latina; um dos talentos dos filmes de Asghar Farhadi é a composição de uma paisagem, em especial a paisagem iraniana em seus filmes de língua natal, formada pelos personagens, pela cultura, pelo comportamento, pela nacionalidade e pela língua. Examinando "Todos Lo Saben" percebi como o senhor Farhadi transpõe sua arquitetura e compõe uma paisagem, ao meu ver, já gritante, em trabalhar com uma geração de artistas latinos irreparáveis; Penélope Cruz, Bárbara Lennie, Inma Cuesta, Javier Bardem, Ricardo Darín, Ramón Barea, esses são os nomes que nos farão comprovar que um dos maiores prazeres do Cinema nesses tempos é ser dirigido por um Asghar Farhadi. De tempos em tempos no Cinema acontecem grandes eventos, quando cineastas filmam em geografias distantes das suas, oferecendo um prazer diferente e reforçando seu talento. Certamente, e estamos na torcida por isso, é o que presenciaremos em "Todos Lo Saben".

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terça-feira, 1 de maio de 2018

62 anos de Lars Von Trier

FOTO TIRADA NA SALA DAS DIVAS DE HOLLYOOD DO STUDIO NEIDE TUON
A VERSÁTIL FILMES COLOCOU Á VENDA NOVAMENTE OS FILMES DO DIRETOR

Três relíquias na bandeja: "Medeia", "Os Idiotas" e "Dançando No Escuro". Partir em "Medeia" de um roteiro de um deus do Cinema, o senhor Carl Theodor Dreyer, era uma tarefa para um ser iluminado, por isso, caiu nas mãos do senhor Von Trier. Nunca tive nenhum problema quanto a Lars Von Trier, que sempre foi um querido e que sempre foi compreendido por mim em seu contexto. Quando assisti "Os Idiotas" foi, pra mim, uma experiência desestabilizadora e apavorante; então busquei conhecê-lo mais e melhor, conheci o que tinha feito antes e todo o trabalho de Lars como diretor fez um sentido muito único. Fez igual sentido seu movimento Dogma, que influenciou o Cinema e posicionou o Cinema dinamarquês do novo milênio. E tem sido assim em seus 62 anos de vida, Lars consegue se reinventar e consegue contribuir como cineasta de uma forma inesperada. Enquanto é taxado de "excêntrico" ou "fetichista" (alvo daquela velha opinião formada sobre tudo), ele consegue proteger uma distância saudável entre a opinião e o artista que é. Ele tem seu jeito, sua personalidade, sua visão de mundo e não é mais "louco" que eu e você; tampouco ele vem de encontro com padrões, normatividades ou expectativas. O melhor tempero de seus filmes é justamente quando consegue afrontar e debochar, seja com ou sem violência, sempre tentando "esfregar" na cara da gente que a gente é tão ou mais igual a tudo aquilo que a gente vira a cara. Com uma beleza de embriagar, suas realizações trazem reflexos de sua vida. No leito de morte, sua mãe lhe deu a notícia que ele tinha outro pai e isso foi fulminante. Na universidade de Cinema adotou o "Von" para seu nome e soube se apropriar de sua imagem. A depressão que lhe ocorreu lhe trouxe um torpor de criatividade que fez de "Anticristo" ou "Melancolia" um êxtase visual, de uma catarse violenta. Nos últimos anos ele tem sido um grande renovador da estética do choque no Cinema e "Ninfomaníaca" é a aula que faltava para tal matéria. O resultado de seus talentos é de que não há nada que se compare a Lars Von Trier, nem antes e nem depois; sua contribuição é inestimável! Em 2018 ele volta ao Festival de Cannes, ele que foi a 1ª Palma de Ouro dos anos 2000 com "Dançando No Escuro", que continua um monumento do Cinema e/ou um dos filmes mais angustiantes que se tem notícia. E que venha seu novo filme, "The House That Jack Built".

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Festival de Cannes 2018



~ Faz calor em Cannes ~ Maio chegou e, com ele, se estabelece o maior festival de Cinema do mundo. Nós, cinéfilas e cinéfilos, temos em Cannes o nosso norte, é em Cannes que encontramos as mulheres e os homens, as cineastas e os cineastas, que despertam, dia a dia, a nossa vida, através do amor que temos pelo Cinema. Durante esses 31 dias de Maio vamos tentar respirar um pouco mais de Cannes, tentar celebrar os maiores amores de nossas vidas que saíram de Cannes, que fizeram a história do Cinema e a história da nossa vida. Senhoras e senhores: 

~ 71 anos do Festival de Cannes ~ Com 7 nacionalidades de 5 continentes, o júri de maioria feminina presidido por Cate Blanchett e seguido pelos nomes de Kristen Stewart, Léa Seydoux, Ava Duvernay, Khadja Nin, Chang Chen, Andrei Zviaguintsev, Denis Villeneuve e Robert Guédiguian

~ Seleção oficial ~

ABERTURA
"Todos Lo Saben" - Asghar Farhadi (Irã)

COMPETIÇÃO
"Le livre d'image", Jean-Luc Godard (França)
"BlacKkKlansman", Spike Lee (EUA)
"Three Faces", Jafar Panahi (Irã)
"Cold War", Pawel Pawlikowski (Polônia)
"Leto", Kirill Serebrennikov (Rússia)
"Lazzaro Felice", Alice Rohrwacher (Itália)
"Under The Silver Lake", David Robert Mitchell (EUA)
"Capernaum", Nadine Labaki (Líbano)
"At War", Stephane Brizé (França)
"Asako I&II", Ryusuke Hamaguchi (Japão)
"Sorry Angel", Christophe Honoré (França)
"Dogman", Matteo Garrone (Itália)
"Girls of the Sun", Eva Husson (França)
"Yomeddine", A.B Shawky (Egito)
"Burning", Lee-Chang Dong (Coreia do Sul)
"Shoplifters", Kore-Eda Hirokazu (Japão)
"Ash Is Purest White", Jia Zhang-Ke (China)

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quinta-feira, 26 de abril de 2018

No Cinema

Alguns aniversariantes, queridos meus, dos últimos dias:




Barbra Streisand completou 76 anos; Jack Nicholson completou 81 anos; Dev Patel, 28; Djimon Hounsou, 54; Shirley MacLaine, 84; Al Pacino, 78; Renée Zellweger, 49 e Channing Tatum, 38. Toda essa gente mora no meu coração!

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terça-feira, 24 de abril de 2018

Praça Paris

Coluna Primeiras Impressões 



Você precisa saber que: neste exato momento o filme dirigido pela grande cineasta Lúcia Murat é atual, é corajoso, é perturbador e soma-se a última leva dos filmes brasileiros obrigatórios dirigidos por mulheres, centrados em protagonistas mulheres e que estão contribuindo para a imagem mais honesta possível do Brasil. É impossível esperar menos de Lúcia Murat, uma das maiores cineastas brasileiras de todos os tempos e, até o presente momento (e estamos em Abril e, levando isso em conta, pra mim está claro), "Praça Paris" é o 1º dos 3 melhores filmes brasileiros que vi até agora em 2018, encabeçando a trinca formada pelos filmes "Antes Do Fim" (do cineasta Cristiano Burlan) e "Arábia" (dos cineastas João Dumas e Affonso Uchoa).

Também possivelmente a melhor interpretação feminina do Cinema nacional deste ano, a atriz Grace Passô realiza uma atuação fatal, ao nos oferecer Gloria, mulher negra, pobre, do RJ, do Morro da Providência, com um irmão na cadeia e uma personagem belíssima. Este filme manifesta a desigualdade de uma nação e a transmissão cultural deste crime contra a humanidade (que é a desigualdade), alocado no desenvolvimento histórico do país desde o seu "descobrimento" por portugueses e, curiosamente, ergue-se como a antagonista de "Praça Paris" uma atriz portuguesa, a tremenda Joana De Verona. Então, aí fica a dica, antes da estreia nas salas de Cinema do Brasil: olhos, ouvidos, coração e consciência bem abertos para este grande filme.

Este filme capta o preconceito, a desconfiança de insegurança e fica no limiar da intolerância, que usa como ferramentas os argumentos da violência. A cineasta Lúcia Murat está observando quem foi colocado na mira da tal guerra civil. Seu filme é duro, perturba, incomoda, comove, tem honestidade e reforça o talento de uma cineasta que experienciou na pele a ditadura. Portanto, se tem um filme dirigido por uma mulher histórica, com personagens mulheres, que ajudam a compreender este Brasil, neste momento esse filme é o imperdível "Praça Paris"

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