domingo, 1 de abril de 2018

Aniquilação

"Alex Garland: da ficção A para a ficção B."


Adaptação de livro bem sucedido vira um filme descartável



Por Daniel Serafim

Uma grande bobagem e não dá pra acreditar. Quando o trailer foi lançado e a gente descobriu que esse ano tinha filme novo de Alex Garland, depois do indispensável "Ex Machina", a gente pulou da cadeira. No entanto, o Cinema tem algumas variantes tão imprevisíveis quanto os responsáveis por essas mesmas variantes. Eu não esperava que o diretor Alex Garland, responsável por um filme surpreendente, o super indicado ao Oscar/2016 de melhor roteiro original "Ex Machina" (um relevo excitante de originalidade), fosse agora compor um resultado tão decepcionante em cima da adaptação do primeiro livro que forma uma trilogia de ficção altamente delirante por si só. Quando os produtores perceberam que o resultado de Alex Garland "não rolou", trataram logo de parar de impulsionar o filme que agora, no Brasil, chega direto pela Netflix. Vejam só: "Aniquilação" é o que se chama de "impressão do diretor", é a tentativa de Alex Garland em adaptar a trilogia de Jeff  Vandermeer composta pelos livros "Aniquilação", "Autoridade" e "Aceitação" (que não li, mas fui descobrir mais sobre, pra saber do que se tratava). É uma grande história sem obviedades, que abre perguntas, formas e devaneios, com provocações em cima sobre ciência, genética, mutação e por aí vai. 

Nas mãos de Alex Garland, a história de uma zona que surgiu no litoral americano, que altera todo o ambiente violentamente e que aloca a "Área X", virou apenas um filme com dezenas de elementos, clichês, ora mais ficção, ora mais terror, do qual não se absorve nada. As pessoas que são enviadas para explorar esse "desconhecido", ou não voltam, ou voltam afetadas, mas quando a equipe de 5 mulheres, lideradas pela atriz Jenniffer Jason Leigh e com Natalie Portman encabeçando, vão para lá, o espectador vai descobrir um mínimo do que acontece ali dentro. Salvo o visual que, em alguns momentos impressiona (ainda que sem aquele acabamento admirável de "Ex Machina"), é tão nítida a sucessão da falta de delicadeza, que em outros momentos também constrange. Se você prestar bem atenção, vai perceber como há discordância entre a aparição sem licença de uma jacaré imenso (infelizmente quase no estilo "Anaconda" de ser) e o cuidado de introduzir um urso que emite o som de suas vítimas (que reconheço, ficou bem interessante). Inacreditável que hajam notas tão absurdas compostas por Alex Garland (ele que já escreveu outra adaptação que rendeu o excelente filme "Não Me Abandone Jamais", do diretor Mark Romanek e que escreveu também o excelente "Extermínio", do diretor Danny Boyle), como também é inacreditável a quantidade de clichês (vide o grupo que vai se desintegrando um a um) em "Aniquilação" que, de resultado mesmo, só deixa aquela velha impressão de já se ter assistido mil filmes como esse e alguns bem mais bem sucedidos. 

" ANIQUILAÇÃO " - Annihilation - Dir. por Alex Garland - EUA - 2018 - Netflix 

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