sexta-feira, 18 de maio de 2018

Um olhar para o Cinema de Luca Guadagnino

FOTOGRAFIA FEITA NA ÓTICA NOSSA SENHORA DO BELÉM

1 - Ambos os filmes de Luca Guadagnino significam uma chegada ao topo da escalada cinematográfica, ou seja, são momentos de contemplação de uma rara beleza. Após "Me Chame Pelo Nome", relutei em continuar protegendo "Eu Sou O Amor" como a obra-prima de Luca até o presente momento, no entanto, fui vencido pela crença de que ambos os filmes, na verdade, seguem empatados. Isto, sem nenhuma necessidade obrigatória de que assim seja e que, no caso, é uma percepção somente minha.

2 - Fato é que "Eu Sou O Amor" se tornou um dos filmes italianos mais indispensáveis da última década e Luca Guadagnino conseguiu esse feito. O talento sensorial de como Luca engenha a forma de contar suas histórias cria um relevo que, a certa altura, parece um mapa. "Eu Sou O Amor" mergulha na derrocada da sociedade italiana e conta sua história a partir do personagem mais vitimado: a mulher. A russa interpretada pela magistral Tilda Swinton é a estrangeira, estrangeira e italiana, a mulher que só depois de haver feito uma família sob as egides religiosas, culturais e patriarcais daquela sociedade, enfim inicia um processo de se apropriar de si mesma. Porém, a história não é pessimista, ela tem um tom acima, pois esse não é mais um filme a mostrar a derrota, pelo contrário, é um filme de ascensão. A mulher de "Eu Sou O Amor" é glorificada, ela blinda seu processo e toma posse da sua caverna. Aliás, na última década, bons filmes italianos surgiram, demonstrando a derrocada da sociedade italiana e centrados na mulher como, por exemplo, o filme "Que Mais Posso Querer"

3 - Um ano depois de "Moonlight" também se tornar um dos filmes da década, agora parte integrante do compêndio do Cinema americano pós anos 2000, Luca Guadagnino também reflete, na Itália, a natureza homossexual (ou tão somente sexual) e empossa "Me Chame Pelo Seu Nome" como uma aula. Levanta personagens eruditos, que se descobrem um ao outro e se apaixonam um pelo outro, para dizer que a percepção da natureza humana precisa ser liberta da ignorância. Tem muitos talentos e todos primamente envergados. Me admira perceber que "Me Chame Pelo Seu Nome", adaptado de sua obra literária, nas mãos de Luca Guadagnino se torna um filme onde o processo da descoberta sexual e afetiva, é tão rico e protegido, como a cultura e intelectualidade que os personagens exalam. É uma visão (e bem visionária mesmo) a demonstrar o tratamento que a concepção humana merece. Por isso também, o monólogo do pai, ao final, gruda em nós e nos arrebata.

MAIS CINEMA! A GENTE SEMPRE QUER MAIS, DAQUILO QUE A GENTE AMA!

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