terça-feira, 3 de julho de 2018

Desobediência

"De desobediente, esse filme não tem nada, pelo contrário, tem a dimensão que um trovão parece ter. É um dos maiores dramas do ano e dos mais belíssimos!"


CARTAZ CEDIDO PELO PATROCINADOR: CINEMA CAIXA BELAS ARTES

Vamos nos localizar, principalmente quem terá o primeiro contato com o Cinema de Sebastián Lelio: o drama "Desobediência" (baseado no romance da inglesa Naomi Alderman e adaptado por Sebastián Lelio e pela roteirista Rebecca Lenkiewicz, que também ajudou a escrever o filme "Ida", grande vencedor do Oscar/2015 como melhor filme estrangeiro) é o 6º filme escrito e dirigido pelo chileno Sebastián Lelio, e o primeiro feito fora do Chile e em língua inglesa. Ele praticamente foi descoberto internacionalmente pelo filme "Gloria", que capta uma personagem de 58 anos, não vista com frequência no Cinema e que não cede a compreensões imediatistas, ou seja, uma personagem rara que, de fato, precisa ser observada, pois nunca existiu alguém como Gloria (e o filme conta ainda com a atuação extraordinária de Paulina Garcia); depois Sebastián surge com o obrigatório "Uma Mulher Fantástica", grande vencedor do Oscar/2018 de melhor filme estrangeiro e que olha para uma transexual no olho de um furação, após a morte de seu homem (outro filme que conta com uma atuação devastadora, aqui da atriz Daniela Vega). Então, dentre os talentos do Cinema feito por Sebastián Lelio, conclui-se a concretude da visibilidade com que filma suas personagens, conclui-se a visibilidade que dá as suas personagens, pouco filmadas dessa forma tão imensa e com tanta pontualidade; e também conclui-se sua entrada dentro de habitats munidos de organismos tão próprios, mas que, sem eles, o mundo, como um todo, não faria o sentido que faz. E é de toda essa mínima compreensão que esse diretor surge com seu 3º filme, o glorioso e dramático "Desobediência".

A sequência que introduz o início de "Desobediência" é belíssima. O rabino fala à sua comunidade judaica do norte de Londres, prega sobre o livre-arbítrio aos olhares atentos dos judeus e seus movimentos oferecem imagens de encher os olhos. De repente cai morto. Ao descobrir que o pai morreu, a fotógrafa britânica Ronit sai de Nova York e chega para a celebração de despedida. É recebida pelo primo Dovid, acolhido como seu irmão pelo pai e que é casado com Esti, sua amiga de infância. Os 3 eram inseparáveis. Ronit é recebida com hostilidade pelos presentes, pois os motivos de desobediência pelos quais ela foi viver longe, são intoleráveis as suas raízes. Seu retorno culmina na principal desobediência: o amor e a paixão por Esti. Esse é o esboço mais econômico e qualquer esboço que se faça não conseguirá transmitir um mínimo da dimensão do teor deste drama de quase 2 horas, feito de forma fatal, sem dar ao espectador a chance de resistir. O poder de persuasão e de repercussão sobre os conflitos desses personagens, conseguem nos dobrar e são expostos com a franqueza que o diretor tem pela interpretação dos mundos que apresenta. Pouco a pouco ele desata a posição de todos os personagens dentro da comunidade e narra a história como se estivéssemos lá dentro. O resultado é sem igual. Pois este diretor consegue fazer como poucos que tenhamos a tão dita "misericórdia" ou a plena empatia, ou seja, literalmente nos coloca no lugar de outra pessoa.

E há de se observar a grande capacidade do Cinema deste diretor em se manter no tom e nas afinações. Interessante observar em "Desobediência" como pairam linguagens universais e elementos narrativos, pois temos uma figura de triângulo amoroso, temos o retorno de um personagem a um ambiente, temos um amor reprimido ou um amor do passado e, por fim, temos uma saborosíssima sequência de fuga entre personagens que se amam. A qualidade de seus filmes são inquebrantáveis, do teor do texto, da abundância técnica e climática (cores, tensões, imersão, enquadramentos), à sabedoria de dirigir um elenco de peso (no sentido de realmente saber o que fazer com um elenco internacional poderoso e saber se comunicar com ele). As atrizes Rachel Weiz e Rachel McAdams estão magníficas e irresistíveis. Em alguns momentos é Rachel McAdams que cresce de forma cavalar e faz o espectador se contorcer por ela. Contudo, os filmes de Sebastián Lelio sempre trazem homens afinadíssimos e, aqui, Alessandro Nivola é um assombro e cabe a ele a responsabilidade de um monólogo extraordinário ao final que, ao lado do monólogo do pai em "Me Chame Pelo Seu Nome", promove uma das melhores sequências a se ver no Cinema em 2018 e se torna um dos melhores atores coadjuvantes do ano. E, pra terminar, e pra reforçar a lição desses 3 filmes indispensáveis de Sebastián Lelio (bem como a lição derradeira de seu Cinema) preciso mencionar uma sequência com um abraço triplo em "Desobediência" que põe um ponto final na vida: o amor supera tudo.

" DESOBEDIÊNCIA " - Desobedience - Dir. por Sebastián Lelio - UK - 2018 - Distribuidora no Brasil: Sony - Exibidor para o Mais Cinema: Cinema Caixa Belas Artes

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